O estado de Goiás deve consolidar sua posição estratégica no abastecimento de grãos do país na safra 2026/27, com uma colheita estimada em 20,3 milhões de toneladas de soja e 12,4 milhões de toneladas de milho. As projeções constam no 1º Levantamento da Safra de Grãos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Com esses volumes, o território goiano responderá por cerca de 11,2% de toda a soja e 8,4% do milho colhidos no Brasil.
Em âmbito nacional, a safra de grãos está estimada em 367,14 milhões de toneladas (+1,4%), sobre uma área de 85,41 milhões de hectares (+2,3%), com a oleaginosa atingindo 181,61 milhões de toneladas e o milho totalizando 148 milhões de toneladas somando as três safras.
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Na soja, a produção goiana aponta leve avanço de 0,8%, com área semeada de 5,2 milhões de hectares (+0,9%) e produtividade média praticamente estável, projetada em 3.908 quilos por hectare. No entanto, o ritmo inicial no campo exige cautela: até 12 de outubro, apenas 7% da área prevista havia sido semeada, índice abaixo da média histórica estadual de 10% para o período. A operação tem ocorrido de forma pontual, priorizando talhões irrigados e áreas de sequeiro com perfil hídrico restaurado, enquanto os produtores evitam riscos de dessecação de plântulas.
Milho dispara quase 20% com tração do etanol
O principal destaque do ciclo goiano é o milho, cuja colheita total deve crescer 19,7% — um acréscimo de 2,04 milhões de toneladas em relação à temporada passada. O grande motor dessa expansão é o fortalecimento contínuo da demanda das indústrias de etanol de milho instaladas no estado e na região Centro-Oeste.
Na primeira safra de verão, a área cultivada com o cereal salta 26,2%, alcançando 188 mil hectares, com colheita prevista em 1,974 milhão de toneladas (+27,3%). Já para a safrinha (segunda safra), a Conab estima 1,8 milhão de hectares (+3,1%) e uma produção de 10,4 milhões de toneladas (+18,4%), com rendimento médio esperado de 5.774 quilos por hectare (+14,9%). O sucesso desse volume, contudo, dependerá do calendário de colheita da soja para não empurrar a semeadura do cereal para fora da janela climática ideal.
Feijão e algodão registram recuo
Em sentido inverso, as culturas de feijão e algodão desenham retração em Goiás:
Feijão: produção projetada em 295,9 mil toneladas (-4,3%), com área em retração de 2,7% (123,6 mil hectares). A segunda safra sofrerá o maior tombo, recuando 16,1% para 29,7 mil toneladas, enquanto a primeira e a terceira safra estimam 172,9 mil toneladas em conjunto.
Algodão: embora a área plantada avance 2,7% (30,5 mil hectares), o recuo esperado na produtividade reduzirá a colheita de algodão em caroço para 81,9 mil toneladas (-8,7%) e a produção de pluma para 54,6 mil toneladas (-8,8%). O plantio deve começar em novembro.
Clima irregular mantém alerta máximo
A variabilidade das precipitações dita o ritmo dos trabalhos. Em setembro, marcas térmicas perto de 39 °C e chuvas esparsas mantiveram o solo desidratado no Leste goiano. Em contrapartida, acumulados mais consistentes no Sudoeste — com registros de 130 mm em Mineiros e 100 mm em Rio Verde — trouxeram fôlego para a recuperação da umidade.
Projeções do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicam que a instabilidade seguirá distribuída de forma descompassada sobre o Centro-Oeste. O monitoramento contínuo das precipitações será o divisor de águas entre o pleno estabelecimento dos talhões e o risco financeiro de replantios.
