Segundo Nota Técnica divulgada pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná, está suspensa temporariamente a retirada de ostras para consumo humano nos parques aquícolas afetados no município de Guaratuba, no litoral do estado. A determinação do Departamento de Saúde Animal da autarquia decorre de análises laboratoriais que atestaram concentrações de ficotoxinas do grupo do ácido okadaico em patamares superiores ao limite máximo regulamentado para a segurança dos alimentos.
Os dados foram obtidos nas rotinas do Programa Nacional de Moluscos Bivalves Seguros. A substância identificada consiste em uma toxina liberada durante a floração da microalga marinha Dinophysis, microrganismo filtrado e retido por animais como ostras, mexilhões, vieiras e berbigões. Em humanos, a ingestão de frutos do mar contaminados pode desencadear quadros agudos de diarreia, cólicas estomacais, vômitos e náuseas.
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O chefe da divisão de Sanidade dos Animais Aquáticos da Adapar, Cláudio Cesar Sobezak, detalhou o protocolo de vigilância ativo na região e os passos até a normalização dos índices.
"A medida se deve a uma floração de uma alga que produz uma toxina que se acumula nesses moluscos bivalves e é uma medida de saúde pública. A Adapar já fez a comunicação e os serviços de saúde municipais e estadual também. Vamos aguardar os próximos resultados de coletas nas próximas 72 horas. Vamos continuar monitorando a cada período até que os níveis voltem à normalidade e o consumidor possa consumir esses moluscos de forma mais segura", elucida.
O médico-veterinário ressaltou que a atuação preventiva assegura o controle da situação, alertando a população sobre a importância de buscar sempre pescados certificados.
"Não precisamos nos preocupar, mas a população deve evitar comer esses moluscos, que podem ter comercialização clandestina e as pessoas às vezes não sabem que podem, na verdade, se contaminar também e passar por uma situação de saúde indesejável", orienta.
Critérios para desinterdição e histórico de controle
A restrição sanitária alcança pontualmente as coordenadas mapeadas nos autos oficiais de interdição, permanecendo em vigor até que as coletas consecutivas comprovem o declínio das ficotoxinas e preencham os requisitos legais para liberação da safra. Os demais pontos de maricultura no litoral seguem em operação regular sob checagem analítica permanente.
A vigilância contínua sobre a costa paranaense teve início em 2024, baseada na extração seriada de amostras de água marinha e tecidos animais para conter riscos e atestar a procedência sanitária da produção aquícola. A equipe técnica do órgão intensificará as vistorias nos locais interditados até a completa estabilização ambiental da flora marinha.
