Adapar suspende retirada de ostras em áreas de cultivo de Guaratuba

Medida preventiva em parques aquícolas ocorre após exames detectarem ácido okadaico
Adapar suspende retirada de ostras em áreas de cultivo de Guaratuba
Adapar suspende retirada de ostras em Guaratuba por excesso de ficotoxinas Foto: Pablo Aqsenen / Adapar
Foto do autor Jair Reinaldo
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Segundo Nota Técnica divulgada pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná, está suspensa temporariamente a retirada de ostras para consumo humano nos parques aquícolas afetados no município de Guaratuba, no litoral do estado. A determinação do Departamento de Saúde Animal da autarquia decorre de análises laboratoriais que atestaram concentrações de ficotoxinas do grupo do ácido okadaico em patamares superiores ao limite máximo regulamentado para a segurança dos alimentos.

Os dados foram obtidos nas rotinas do Programa Nacional de Moluscos Bivalves Seguros. A substância identificada consiste em uma toxina liberada durante a floração da microalga marinha Dinophysis, microrganismo filtrado e retido por animais como ostras, mexilhões, vieiras e berbigões. Em humanos, a ingestão de frutos do mar contaminados pode desencadear quadros agudos de diarreia, cólicas estomacais, vômitos e náuseas.

O chefe da divisão de Sanidade dos Animais Aquáticos da Adapar, Cláudio Cesar Sobezak, detalhou o protocolo de vigilância ativo na região e os passos até a normalização dos índices.

"A medida se deve a uma floração de uma alga que produz uma toxina que se acumula nesses moluscos bivalves e é uma medida de saúde pública. A Adapar já fez a comunicação e os serviços de saúde municipais e estadual também. Vamos aguardar os próximos resultados de coletas nas próximas 72 horas. Vamos continuar monitorando a cada período até que os níveis voltem à normalidade e o consumidor possa consumir esses moluscos de forma mais segura", elucida.

O médico-veterinário ressaltou que a atuação preventiva assegura o controle da situação, alertando a população sobre a importância de buscar sempre pescados certificados.

"Não precisamos nos preocupar, mas a população deve evitar comer esses moluscos, que podem ter comercialização clandestina e as pessoas às vezes não sabem que podem, na verdade, se contaminar também e passar por uma situação de saúde indesejável", orienta.

Critérios para desinterdição e histórico de controle

A restrição sanitária alcança pontualmente as coordenadas mapeadas nos autos oficiais de interdição, permanecendo em vigor até que as coletas consecutivas comprovem o declínio das ficotoxinas e preencham os requisitos legais para liberação da safra. Os demais pontos de maricultura no litoral seguem em operação regular sob checagem analítica permanente.

A vigilância contínua sobre a costa paranaense teve início em 2024, baseada na extração seriada de amostras de água marinha e tecidos animais para conter riscos e atestar a procedência sanitária da produção aquícola. A equipe técnica do órgão intensificará as vistorias nos locais interditados até a completa estabilização ambiental da flora marinha.

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