Arroz 19-12-2025 | 13:57:00

Setor arrozeiro avalia 2025 e projeta cenário desafiador, mas otimista para 2026

Federarroz avalia que a redução da área plantada e o escoamento da produção podem ajudar a reequilibrar o mercado de arroz em 2026

Por: Redação RuralNews

Segundo o dirigente, 2025 concentrou preços deprimidos, restrição de crédito e intervenções governamentais consideradas essenciais para evitar um agravamento da crise. Apesar disso, medidas recentes e a perspectiva de redução dos estoques trazem algum alívio ao setor.
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Pressão nos preços e influência do mercado internacional

Federarroz avalia que a redução da área plantada e o escoamento da produção podem ajudar a reequilibrar o mercado de arroz em 2026. Foto: Paulo Rossi / Divulgação


De acordo com Nunes, o ano começou com o saco de arroz negociado em torno de R$ 100 nas principais praças gaúchas. No entanto, conforme a colheita avançou, os preços recuaram para níveis próximos ao preço mínimo, ficando abaixo desse patamar no segundo semestre.

Segundo o presidente da Federarroz, o movimento decorreu de fatores externos e regionais. A boa colheita nos países do Mercosul, somada ao retorno da Índia às exportações, ampliou a oferta global. Como consequência, os preços internacionais caíram e afetaram também o mercado dos Estados Unidos. Esse encadeamento, por sua vez, repercutiu diretamente no Brasil.

Crédito restrito reduz área e pode afetar produtividade



Diante da trajetória de queda dos preços, a Federarroz buscou alternativas junto ao governo federal. Em junho, a entidade articulou a liberação de cerca de R$ 300 milhões para contratos de opção. Com isso, produtores contrataram aproximadamente 110 mil toneladas. Ainda assim, o alívio permaneceu limitado.

Na sequência, mudanças no Plano Safra agravaram o cenário. Em julho, bancos passaram a restringir o crédito, enquanto os juros seguiram elevados. Como resultado, muitos produtores enfrentaram dificuldades para financiar o ciclo seguinte.

Esse ambiente contribuiu diretamente para a redução da área plantada. Levantamento apresentado pelo Irga na Expointer indicou inicialmente 920 mil hectares na safra 2025/26, recuo de 5,7% em relação à temporada anterior. Contudo, com o plantio ainda incompleto, a estimativa da Federarroz aponta queda próxima de 10%, o que pode reduzir a área para cerca de 880 mil hectares. Além disso, a menor disponibilidade de crédito e a redução no uso de fertilizantes tendem a impactar a produtividade.

Medidas de apoio e expectativa de escoamento da produção



Apesar das adversidades, o segundo semestre trouxe avanços relevantes. Em outubro, o governo antecipou mais R$ 300 milhões inicialmente previstos para 2026. A Conab deve direcionar esses recursos para aquisições e para mecanismos como PEP e Pepro ainda em 2025. O objetivo é estimular o escoamento da produção e melhorar a competitividade das exportações.

Outro ponto destacado por Nunes foi a aprovação da mudança no estatuto do Irga. A alteração permite o uso de recursos da CDO — contribuição de R$ 0,89 por saco vendido — para subvenções à comercialização e apoio a regiões mais necessitadas.

Mesmo com preços baixos, o presidente da Federarroz avalia que o Brasil segue altamente competitivo no mercado externo, especialmente pela qualidade do arroz produzido. Segundo ele, esse cenário deve resultar em um dos maiores volumes de exportação da história. Além disso, a possível liberação dos prêmios de escoamento tende a acelerar os embarques e reduzir os estoques antes da colheita de 2026, fator considerado fundamental para o reequilíbrio do mercado.

Expectativa cautelosa para 2026



Para o próximo ano, Nunes projeta um cenário novamente desafiador, porém com oportunidades. A combinação de menor área plantada, possível redução de produtividade e estoques mais baixos pode favorecer o mercado.

Segundo o dirigente, caso o setor consiga iniciar 2026 com volumes menores armazenados e com os mecanismos de apoio funcionando de forma efetiva, o ambiente tende a se mostrar mais favorável ao produtor, mesmo diante das incertezas que ainda cercam o próximo ciclo.

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Texto publicado originalmente em Notícias
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