O agro na COP30
Rodrigo C. A. Lima
Rodrigo C. A. possui 20 anos de experiência em comércio internacional, meio ambiente e desenvolvimento sustentável no setor agropecuário e de energias renováveis.
Receber uma conferência multilateral ambiental da magnitude da 30ª Conferência das Partes (COP30) da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (UNFCCC) enseja desafios enormes para o Brasil, especialmente em um momento geopolítico delicado, que assevera uma crise profunda do multilateralismo.
A COP30 será o momento de conhecer as metas de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) para o período de 2031-2035, com base nas contribuições nacionalmente determinadas (NDC na sigla em inglês) atualizadas que deverão ser enviadas à UNFCCC até no máximo o mês de setembro.
Vale sempre frisar que a somatória dos esforços de todos os países que integram o Acordo de Paris deve permitir conter o acúmulo de GEEs na atmosfera para limitar o aumento de temperatura em no máximo 1.5°C. De acordo com o Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima (IPCC), no entanto, as temperaturas globais já atingiram 1.1°C entre 2011-2020 e cruzaram 1.5°C em 2023.
A Conferência será realizada em Belém, no coração da Amazônia, o que por si só atrairá uma atenção enorme para o papel das florestas nas agendas climática e de biodiversidade. Acabar com a conversão ilegal de vegetação nativa, reduzir o desmatamento legal e impulsionar a restauração florestal são objetivos centrais da meta brasileira, elementos que podem tornar o setor de uso da terra, como se trata na contabilidade de emissões e remoções, um sumidouro de carbono ao invés de emissor.
Mas a COP30 vai além das florestas, e enseja jogar luz sobre todas as soluções climáticas do Brasil, envolvendo agropecuária, biocombustíveis, biogás, biometano, biodiesel, energia eólica, fotovoltaica, tecnologias que permitem a descarbonização de processos industriais e de tratamento de dejetos.
A ambição na redução de emissões é diretamente proporcional a capacidade de investir em inovação e financiar tecnologias e práticas que permitam catalisar transições em todos os setores da economia.
Questiona-se se o agro integra essa agenda ou não, afinal a COP é uma conferência ambiental. Em 2008, quando participei pela primeira vez de uma COP da UNFCCC, o agro brasileiro estava presente para mostrar ao mundo que o etanol de cana e as florestas plantadas são parte das soluções de descarbonização.
Em 2009, na famosa Conferência de Copenhague, o agro brasileiro marcou presença. O acordo da COP15 criou a meta de 100 bilhões de dólares de financiamento e, sobretudo, elevou a importância da agenda climática para todos os setores e a sociedade.