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Açúcar: saiba quais são as tendências para curto e longo prazo no mercado internacional

Compradores estão de olho na oferta e demanda do produto enquanto a safra brasileira influencia o mercado

Açúcar: saiba quais são as tendências para curto e longo prazo no mercado internacional

A dinâmica da safra 24/25 da Índia e do Hemisfério Norte permanecem no radar dos investidores e produtores

Foto do autor Redação RuralNews
05/03/2025 |

O mercado de açúcar segue em um cenário de forte volatilidade, impulsionado por questões de disponibilidade e macroeconômicas. A recente valorização do real frente ao dólar e as incertezas fiscais no Brasil continuam influenciando as decisões de exportação por parte do produtor brasileiro, afetando os preços internacionais, segundo a Hedgepoint, empresa de análise de riscos no mercado.

No entanto, estes têm voltado a responder mais fortemente a fatores fundamentalista, com tendências distintas para o curto e longo prazo. No curto prazo, a dinâmica da safra 24/25 da Índia e do Hemisfério Norte permanecem no radar dos investidores e produtores, dando suporte aos preços.

Já no médio-longo prazo, a expectativa de uma safra robusta no Centro-Sul brasileiro em 25/26 e a recuperação gradual da produção em outras regiões do mundo indicam um possível equilíbrio entre oferta e demanda no médio prazo.

Inflação e impactos no mercado global

De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a inflação global deve cair de 4,2% para 3,5% em 2025, com uma convergência mais rápida para a meta nas economias avançadas. Com isso, os EUA e a União Europeia estão mais próximos de atingir seus objetivos do que o Brasil, a Índia e a China, que estão diretamente relacionados ao setor.

A preocupação com a persistência da inflação nos EUA como antecipação da nova administração de Trump impulsionaram o dólar a novos patamares ao final de 2024. Como o Brasil é o principal fornecedor de açúcar, a desvalorização do real, frente ao cenário internacional e a deterioração da política fiscal brasileira, incentivou os produtores a venderem ao final de 2024, contribuindo para uma correção dos preços do adoçante.

A recuperação do real em janeiro limitou novas vendas, especialmente depois de o real recuar para menos de R$ 6. O Comitê de Política Monetária (COPOM) elevou a taxa Selic em sua última reunião e indicou que novos aumentos podem ocorrer em 2025. Esse movimento favorece a moeda brasileira, ao sugerir um maior diferencial de juros entre o Brasil e os EUA, o que pode atrair capital estrangeiro. No entanto, as questões fiscais não resolvidas ainda atuam como uma barreira para uma valorização mais consistente do real.

Como resultado, o patamar para o real permanece incerto, podendo atuar tanto do lado altista como baixista para o mercado de açúcar. Assim, não é uma surpresa que o adoçante tem respondido mais fortemente aos seus próprios fundamentos.

Oferta e preços: Na busca do equilíbrio

Após quatro anos de déficit, o mercado de açúcar caminha sobre uma linha tênue entre oferta e demanda. O Brasil segue para um nível de maior disponibilidade de açúcar em 25/26, enquanto o Hemisfério Norte ainda enfrenta desafios na safra 24/25, com a 25/26 altamente dependente do clima futuro. Durante a entressafra brasileira, o mercado dependerá de fornecedores com custos mais elevados, dando suporte aos preços no curto prazo.

Já para o médio e longo prazo, a tendência é mais baixista para os preços, em especial, para o açúcar bruto. O principal motivo para essa tendência é uma maior disponibilidade brasileira, que pode atingir o patamar de 34Mt de exportações. Além disso, a depender do clima durante o período de desenvolvimento das safras do Hemisfério Norte, poderemos ver uma continuidade da recuperação da região em 25/26.

As expectativas para a safra 2025/26

A umidade do solo na região Centro-Sul se recuperou, impulsionada pelo clima favorável entre novembro e janeiro. Em comparação com anos anteriores, o índice NDVI (Normalized Difference Vegetation Index) indica uma recuperação da saúde da planta, aumentando sua capacidade de absorção da luz solar.

Combinando esses fatores à temperatura média registrada, nossos modelos estatísticos sugerem uma produção de 630 milhões de toneladas de cana em 25/26. Com um mix de açúcar de 51%, nossas estimativas apontam uma produção potencial de 43.3 milhões de toneladas do adoçante.

Desde a pandemia da Covid-19, o etanol tem encontrado dificuldades para competir com o açúcar. Alterações na política fiscal seguidas pelo fim da PPI dificultaram qualquer reação de preços do biocombustível.

Para o período 24/25, estimamos um crescimento do ciclo Otto de 2,3% para o centro Sul e 5,8% para o NNE. Já para 25/26, dada a expectativa de desafios econômicos, o crescimento deve ser mais limitado, em torno de 2% em cada região. Ainda, para esta estimativa, considera-se a alteração da mistura de anidro de 27% para 30% em junho de 2025.

A partir da maior disponibilidade de matéria-prima, 630 Mt de cana-de-açúcar, combinada com a expansão esperada do etanol de milho, a expectativa é de que os estoques de biocombustível estejam em patamares bem confortáveis na próxima safra, considerando nossa estimativa de demanda.

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