FPA pressiona por crédito e seguro no Plano Safra 25/26
Bancada do agro apresentou proposta técnica, cobrou seguro rural e avaliou que o plano anunciado ficou abaixo das necessidades do setor
Parlamentares da FPA discutem crédito rural, seguro e previsibilidade para o produtor no Plano Safra 2025/2026. Foto: FPA / Divulgação
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) manteve atuação intensa ao longo de 2025 nas discussões do Plano Safra 2025/2026. A bancada acompanhou desde a formulação até o anúncio oficial do programa. Parlamentares contestaram números, apontaram fragilidades no modelo de financiamento e apresentaram propostas para garantir previsibilidade, crédito acessível e proteção ao produtor rural. O debate ocorreu em um cenário de instabilidade climática, custos elevados e juros altos.
O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, afirmou que o plano foi construído em um contexto desafiador, marcado pela alta dos custos de produção, aumento do frete e incertezas sobre a equalização de juros. Ele defendeu que o programa se torne uma política de Estado, sem influência ideológica ou eleitoral. Segundo o parlamentar, o combate à inflação dos alimentos passa pelo apoio direto ao produtor.
Propostas da bancada focam previsibilidade e gestão de risco
Em abril, a FPA entregou ao Ministério da Agricultura uma proposta elaborada com contribuições de 59 entidades do Instituto Pensar Agro. O documento sugeriu R$ 599 bilhões dentro do Plano Safra, frente a uma necessidade total estimada em R$ 1,3 trilhão para a agropecuária. A bancada destacou a importância de segurança e previsibilidade para o produtor.
Entre as principais demandas, os parlamentares defenderam R$ 25 bilhões para equalização de juros, além da destinação de pelo menos 1% do valor total do plano para a subvenção do seguro rural. O grupo também cobrou a regulamentação de um Fundo de Catástrofe para enfrentar eventos climáticos extremos e propôs uma política agrícola plurianual, nos moldes da Farm Bill dos Estados Unidos.
Esses pontos ganharam espaço no Seminário Plano Safra 2025/2026, promovido pela FPA, que reuniu parlamentares, especialistas e representantes do mercado. Lideranças da bancada reforçaram a necessidade de reduzir a burocracia e alinhar o que é anunciado com o que chega ao campo.
Críticas ao plano anunciado e ao custo do crédito
Após o lançamento oficial, com previsão de R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial, a FPA avaliou que o anúncio não representou apoio efetivo ao setor. Segundo Lupion, parte relevante do montante depende de recursos privados, ofertados a juros de mercado.
A bancada também destacou o impacto da Selic, fixada em 15% ao ano, sobre o crédito rural. Estimativas apontaram custo adicional elevado em juros para os produtores na safra 2025/2026. Outro ponto de crítica foi a redução dos recursos para equalização de juros em relação ao ano anterior.
O seguro rural entrou no centro do debate. Parlamentares apontaram baixa execução orçamentária e afirmaram que a ausência de uma política robusta de proteção amplia a vulnerabilidade do produtor diante dos riscos climáticos.
Avaliação aponta problemas estruturais recorrentes
Mesmo com reconhecimento de ajustes pontuais, como mudanças em linhas de financiamento, a avaliação predominante da FPA indica que o Plano Safra 2025/2026 repete problemas de edições anteriores. A bancada cita anúncios elevados, execução limitada, crédito caro e falta de previsibilidade.
Parlamentares afirmam que a atuação no Congresso tem se concentrado em conter perdas e tentar recompor instrumentos de apoio ao setor. Para a FPA, o fortalecimento do crédito rural, do seguro e de políticas estáveis é essencial para sustentar a produção de alimentos e a renda no campo.