Fim da escala 6x1 pode impactar trabalho no campo, diz CNA
Entidade defende que mudança na jornada considere a realidade do campo e pode afetar custos e produtividade no setor
A proposta que prevê o fim da escala 6x1 no Brasil entrou no radar do agronegócio e pode impactar diretamente a organização do trabalho no campo, segundo debate realizado na Câmara dos Deputados nesta semana.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participou de audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça para discutir a PEC 221/19, que trata da mudança na escala de trabalho. O principal ponto levantado pelo setor é o risco de a medida desconsiderar as particularidades da atividade agropecuária.
Durante o debate, representantes do agro, indústria, comércio e transporte apresentaram argumentos sobre os efeitos da proposta. No caso do campo, a preocupação central está na adaptação das regras à dinâmica da produção rural, que depende de fatores como clima, janelas de plantio e manejo contínuo.
Impacto no dia a dia da produção
Na prática, a possível mudança na escala de trabalho pode alterar a forma como propriedades organizam suas equipes, principalmenteem atividades que exigem operação diária, como pecuária, granjas e algumas culturas intensivas.
A CNA destacou que é fundamental diferenciar os conceitos de jornada e escala de trabalho, já que o setor rural opera com modelos mais flexíveis para atender às demandas produtivas.
Outro ponto levantado foi o risco de aumento de custos. Caso haja redução de jornada sem ganho de produtividade, o produtor pode precisar compensar com horas extras ou contratação de mais mão de obra, o que pressiona a margem da atividade.
Produtividade no centro da discussão
O debate também trouxe comparações com experiências internacionais. Segundo a CNA, países que reduziram jornada de trabalho adotaram mecanismos de compensação, como ampliação do limite de horas extras.
Para o setor, a preocupação é que mudanças legais não garantem, por si só, aumento de produtividade — fator considerado chave para sustentar qualquer alteração nas regras trabalhistas sem gerar perdas econômicas.
Apesar das ressalvas, a entidade reconheceu que a melhoria das condições de trabalho é uma pauta legítima, mas defendeu que qualquer mudança seja construída com base na realidade dos diferentes setores da economia.
Discussão ainda em andamento
A audiência foi realizada na terça-feira (7) e faz parte da tramitação da proposta na Câmara. O tema ainda deve avançar em outras etapas de debate antes de qualquer definição.
Para o agronegócio, a discussão reforça a necessidade de participação ativa do setor em pautas trabalhistas, especialmente aquelas com potencial de impacto direto na rotina produtiva e nos custos da atividade.