Suprema Corte dos EUA derruba tarifas recíprocas
Decisão limita uso de poderes emergenciais pelo Executivo e pode gerar ressarcimentos bilionários no comércio internacional
Decisão da Suprema Corte dos EUA derruba tarifas recíprocas e pode gerar ressarcimentos bilionários no comércio internacional
A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, por seis votos a três, que as chamadas tarifas recíprocas impostas de forma unilateral durante a gestão de Donald Trump são ilegais. A Corte entendeu que o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para justificar a medida extrapolou as atribuições constitucionais do presidente.
Antes de chegar ao Supremo, o caso passou por três instâncias judiciais, todas contrárias à utilização da IEEPA para fins tarifários. A decisão determina a interrupção imediata da cobrança das tarifas e estabelece um precedente relevante sobre os limites do uso de poderes emergenciais em política comercial.
Segundo análise da StoneX, a declaração de ilegalidade tende a provocar reprecificação no mercado internacional de commodities, reduzir distorções competitivas e trazer maior previsibilidade ao comércio global.
De acordo com Raphael Bulascoschi, analista de inteligência de mercado, as tarifas haviam sido anunciadas com base em um suposto estado de emergência, argumento contestado por governadores e empresas afetadas, que recorreram à Justiça por entenderem que a legislação não autoriza a criação de tarifas comerciais.
Repercussões para commodities e comércio
A suspensão das tarifas pode reduzir o poder de barganha dos Estados Unidos frente a parceiros estratégicos, como a China. Ainda assim, especialistas avaliam que não são esperados movimentos abruptos no curto prazo.
Segundo Julia Viana, analista de planejamento e suporte, Pequim tem adotado postura mais conciliadora e sinalizado ampliação nas compras de soja americana. A Índia, outro ator relevante nas negociações com Washington, também não deve revisar acordos recém-anunciados em função da decisão.
No Brasil, setores que não haviam sido beneficiados pela derrubada parcial de tarifas no ano passado podem ganhar competitividade adicional em mercados impactados pelas medidas.
Impacto fiscal e possíveis ressarcimentos
Com a declaração de ilegalidade, empresas afetadas poderão buscar ressarcimento dos valores pagos à alfândega americana. Estimativas preliminares indicam que o montante pode superar US$ 130 bilhões, pressionando o orçamento federal.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que o governo ainda avalia a possibilidade de novos recursos judiciais, o que pode adiar definições sobre eventuais devoluções.
A decisão representa um marco institucional e deve influenciar o desenho da política comercial americana nos próximos meses, com reflexos diretos no comércio global e no mercado de commodities.