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Integração soja e abelhas: todos ganham

Décio Luiz Gazzoni

Integração soja e abelhas: todos ganham

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02/05/2025 |


A boa ciência agronômica indica que não basta produzir, o sistema de produção precisa ser sustentável. A produtividade de uma cultura é um dos índices utilizados para aferir a sustentabilidade. Para isto, necessita ser lastreada em tecnologias e processos reconhecidamente sustentáveis. Uma das formas de aumentar a produtividade, em bases sustentáveis, é a polinização. Vamos usar o exemplo da soja para demonstrar a importância da polinização para a produtividade e a sustentabilidade agrícolas.

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Comecemos analisando a importância da soja. Trata-se da quarta planta alimentícia mais cultivada no mundo. Ela contribui com 25% do óleo comestível e 65% da proteína para formulação de rações para consumo animal. Desde a década de 1970, a produção de soja cresceu mais rápido do que qualquer uma das principais culturas, prevendo-se produção superior a 420 milhões de toneladas (Mt) na safra 2024/25.

O Brasil consolida-se como o maior produtor mundial, respondendo por 40% da produção, com previsão de colher cerca de 164 Mt, cultivando cerca de 47 Mha. É um mercado líquido, aberto, e com demanda garantida nas próximas décadas.

Polinização

Examinemos a polinização, que é um dos serviços ecossistêmicos mais importantes. Estima-se que 30% da produção mundial de alimentos dependa de polinizadores, que adicionam mais de US$ 200 bilhões anuais ao valor da produção agrícola. E esse serviço da Natureza é prestado gratuitamente.


A polinização é responsável pela reprodução e perpetuação das espécies vegetais. Estima-se que cerca de 300 mil espécies de plantas com flores habitem nosso planeta, das quais em torno de 1.200 fornecem produtos agrícolas, como alimentos e fibras.

Cerca de 75% das plantas com flores – cultivadas ou não - dependem, em algum grau, de polinização por animais. Para tanto, contam com dezenas de milhares de espécies, que são os polinizadores, em especial as abelhas.

Soja e polinização

Nos textos clássicos, a soja é descrita como uma planta autógama, ou seja, aquela que se autopoliniza, não depende de polinizadores. Também é dita cleistogâmica: quando as flores se abrem, a maioria delas estaria devidamente autopolinizada.

Mas, em ciência, a verdade é sempre a última verdade. Estudos recentes demonstraram que as flores de soja podem ser polinizadas por visitantes florais até seis horas após a sua abertura.

Os insetos se orientam na busca por recursos, principalmente alimentos, por características como forma, tamanho, cor e substâncias voláteis indicadoras. As plantas valem-se disso para atrair polinizadores. Uma vez atraídos, são reforçados para continuar visitando flores de uma determinada espécie de planta a fim de obter recursos (recompensas) para sua sobrevivência. Essas recompensas são pólen, néctar, resinas, ceras, lipídios e óleos essenciais.

Aí entram os novos estudos agronômicos, demonstrando que a soja possui características de flores que, ativamente, atraem polinizadores. Observe o raciocínio: se as abelhas são atraídas para as flores de soja, usando recursos e energia essenciais para as plantas, então existe uma razão importante para tanto.

Soja e abelhas

O que não mudou é que a soja tem baixa dependência de polinização externa; ela produz sementes mesmo na ausência de polinizadores. A novidade da ciência agronômica é que, quando ocorre polinização suplementar por visitantes florais, a produtividade de soja é aumentada.

Isso explica porque a soja atrai, ativamente, polinizadores: ela vai produzir mais sementes, para cumprir seu objetivo de perpetuar a espécie.

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