O agronegócio de Mato Grosso do Sul opera em ritmo intenso de transição entre safras. Enquanto os trabalhos da segunda safra de milho 2025/2026 entram na fase de conclusão, as equipes de campo direcionam os esforços operacionais para a dessecação pré-plantio da safra de soja 2026/2027.
Segundo o Boletim Agricultura nº 676, a presença de umidade residual no perfil do solo, associada a precipitações pontuais e isoladas ao longo dos últimos dias, tem criado condições favoráveis tanto para a aplicação de herbicidas dessecantes quanto para as etapas complementares de correção de solo e adubação de base.
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O analista técnico da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS), Lucas Santana, reforça a relevância fitossanitária da intervenção prévia nas áreas:
"O controle antecipado das plantas daninhas — em especial a buva (Conyza spp.) — é considerado um dos pontos mais sensíveis do início de safra, já que interfere diretamente na eficiência do plantio e no potencial produtivo da lavoura", destaca Santana.
Avanço da colheita e heterogeneidade de produtividade
Na frente de recolhimento do cereal, o Projeto SIGA-MS — conduzido pela Aprosoja/MS com apoio financeiro do Fundems/Semadesc — aponta que 87,2% da área total monitorada havia sido colhida até o dia 28 de agosto.
O ritmo dos trabalhos é liderado pela região Norte, onde 98,8% das lavouras já foram colhidas, seguida pela região Centro, com 86,3%, e pelo Sul do estado, com 85,6%. As produtividades aferidas nas propriedades apresentam ampla variação, situando-se entre 40 e 192 sacas por hectare, reflexo da distribuição das chuvas ao longo do ciclo de desenvolvimento vegetativo e enchimento de grãos. A projeção oficial consolidada para o ciclo mantém estimativa de colheita em 11,139 milhões de toneladas, distribuídas em 2,206 milhões de hectares.
Gargalos logísticos e saturação de armazenagem
O volume expressivo da safrinha tem provocado restrições operacionais na ponta receptora. O boletim técnico alerta para a saturação da capacidade estática em estruturas de armazenagem de cerealistas e cooperativas agropecuárias em diversas praças do estado, resultando na formação de filas de caminhões para descarga nos pátios.
Diante desse entrave, a Aprosoja/MS orienta os produtores a intensificarem o alinhamento logístico entre fretes e terminais de entrega, mitigando atrasos operacionais justamente no período em que o recolhimento das últimas cargas de milho coincide com o trânsito de máquinas para a dessecação da nova safra de verão.
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