A suinocultura paulista enfrenta um cenário de severa compressão financeira. O preço médio real do suíno vivo comercializado na praça SP-5 — que engloba os polos de Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba — atingiu em agosto de 2026 o patamar mais baixo de toda a série histórica do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), iniciada em março de 2002. A métrica considera os valores deflacionados pelo IGP-DI de julho de 2026.
Segundo levantamento do instituto, o movimento de desvalorização vinha sendo observado desde o início do ano, mas ganhou contornos mais severos nas últimas semanas. A retração é reflexo direto do enfraquecimento do consumo de carne suína na ponta final do varejo, o que levou frigoríficos e indústrias processadoras a reduzirem o ritmo de aquisições de lotes nas granjas para evitar acúmulo de estoques.
Suinocultura bate recorde e desafia gestão de pessoas
Exportação de carne suína sobe 8% e atinge 131 mil t
Insumos em alta e margens em declínio
O recuo nos preços do animal terminado coincidiu com o encarecimento da ração, resultando no segundo mês consecutivo de perda no poder de compra do criador:
Pressão nos custos: As cotações do milho subiram 3,2% em agosto no indicador ESALQ/BMFBovespa (praça Campinas/SP), saltando de R$ 64,84 para R$ 66,91 por saca de 60 kg;
Farelo de soja: A proteína vegetal também sustentou cotações mais firmes no estado, deteriorando a relação de troca para os plantéis intensivos;
Exportações contínuas: A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) registrou o envio de 129,6 mil toneladas de carne suína (in natura e industrializada) em agosto, leve recuo de 0,9% ante julho (129,9 mil t), mas crescimento de 7,9% frente às 120,1 mil toneladas do mesmo mês de 2025. O recuo pontual de embarques entre julho e agosto é sazonal e ocorreu em seis dos últimos oito anos.
Competitividade frente às proteínas concorrentes
Em contrapartida à pressão sobre o resultado das propriedades rurais, a queda nos preços gerou um diferencial competitivo no balcão de distribuição.
Com a carcaça especial suína em trajetória descendente e o encarecimento simultâneo da carcaça casada bovina e do frango resfriado no mercado atacadista, o Cepea indica que a carne suína ampliou expressivamente sua vantagem de preço perante as concorrentes diretas, o que pode abrir espaço para uma retomada do escoamento e estabilização dos balanços nas próximas semanas.
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