Segundo estudo divulgado pela Aprosoja/MS, a estratégia da China para ampliar a produção doméstica de grãos e oleaginosas poderá provocar mudanças importantes no mercado global de soja nos próximos anos. As projeções indicam que as importações chinesas da commodity deverão recuar 26,2% até 2035, cenário que tende a intensificar a concorrência entre os principais países exportadores e aumentar a pressão por eficiência e competitividade.
As análises fazem parte do Informativo Econômico 05/2026 e integram o estudo “O novo plano econômico chinês e seus possíveis impactos sobre a soja de Mato Grosso do Sul”. O trabalho foi elaborado pela equipe técnica da Aprosoja/MS com base nas projeções do relatório China Agricultural Outlook 2026-2030, alinhado ao 15º Plano Quinquenal da China.
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Produção chinesa deve avançar na próxima década
De acordo com o levantamento, a produção chinesa de grãos deverá crescer de 715 milhões de toneladas em 2025 para 753 milhões de toneladas em 2035. O avanço será impulsionado principalmente por ganhos de produtividade, adoção de biotecnologia, inteligência artificial, mecanização agrícola e melhorias na qualidade dos solos.
Paralelamente, a China projeta reduzir suas importações de soja de 111,83 milhões de toneladas para 82,55 milhões de toneladas no mesmo período. A queda representa quase 30 milhões de toneladas e reforça a estratégia do governo chinês de reduzir a dependência externa e ampliar sua capacidade de abastecimento interno.
Mercado mais competitivo para os exportadores
Para o analista de Economia da Aprosoja/MS, Raphael Flores Gimenes, a mudança não representa uma ameaça imediata às exportações brasileiras, mas sinaliza uma transformação estrutural do mercado internacional da soja.
“A China continuará sendo um dos principais compradores mundiais de soja, mas o ritmo de crescimento da demanda tende a desacelerar. Isso cria um ambiente mais competitivo para os exportadores, com menor potencial de valorização estrutural da commodity e maior sensibilidade aos níveis de estoques globais”, destaca.
Segundo o economista, a combinação entre o aumento da produção chinesa e a redução gradual das importações deverá ampliar a disputa entre os principais fornecedores globais, especialmente Brasil, Estados Unidos e Argentina.
“A competitividade passará a depender cada vez mais de fatores além da produtividade. Questões como rastreabilidade, conformidade ambiental, qualidade do produto, eficiência logística e gestão comercial tendem a ganhar peso nas negociações internacionais”, afirma.
Tecnologia e segurança alimentar ganham espaço
O estudo mostra ainda que a estratégia chinesa vai além da expansão da produção agrícola. O país pretende ampliar o uso de agricultura de precisão, inteligência artificial, melhoramento genético e sistemas avançados de monitoramento das lavouras.
Além disso, a China deverá reforçar exigências ligadas à segurança alimentar e aos padrões sanitários exigidos dos fornecedores internacionais, fatores que podem influenciar diretamente as condições de acesso aos mercados.
Embora o levantamento não projete uma redução abrupta das importações chinesas no curto prazo, a Aprosoja/MS avalia que o cenário aponta para uma transição gradual rumo a um mercado global menos dependente do crescimento da demanda chinesa. Para os exportadores, o novo contexto exigirá estratégias voltadas não apenas ao aumento da produção, mas também à agregação de valor, eficiência operacional e adequação às exigências cada vez mais rigorosas do comércio internacional.
