As cotações do etanol hidratado iniciaram um movimento de recuperação na primeira quinzena de agosto, voltando a se aproximar do patamar de R$ 2,20 por litro pago ao produtor nas usinas. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, a valorização resulta do alinhamento entre preços firmes do açúcar, valorização cambial e a perspectiva de maior consumo doméstico do biocombustível no segundo semestre de 2026.
O principal vetor dessa melhora é a ampla vantagem competitiva nas bombas. Nos postos de combustíveis do estado de São Paulo, a paridade média entre etanol e gasolina permanece abaixo de 60% desde o início de junho — bem inferior à linha de indiferença tradicional de 70%. Atualmente, o biocombustível é economicamente mais vantajoso em 10 estados, regiões que concentram cerca de dois terços de todo o consumo nacional de combustíveis leves.
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Mistura de 32% e subvenção reforçam sustentação
Além da demanda espontânea do consumidor, o arcabouço regulatório trouxe fôlego renovado ao setor sucroenergético:
Nova mistura obrigatória: desde 1º de agosto, o percentual de etanol anidro na gasolina subiu de 30% para 32%, ampliando a demanda compulsória da frota brasileira;
Apoio orçamentário: a aprovação do Projeto de Lei Complementar nº 114/2026 pelo Congresso Nacional, em 12 de agosto, assegurou uma subvenção de até R$ 1,2 bilhão para equilibrar a receita da cadeia.
Gargalo de estoques e barreiras nos EUA
Apesar da reação nas usinas, o equilíbrio do mercado exige cautela operacional. Para impedir o inchaço dos estoques de passagem, a distribuição precisa manter um ritmo de absorção de aproximadamente 2 bilhões de litros mensais — desafio acentuado pelos juros elevados, que encarecem a taxa de carregamento e armazenagem do produto.
No mercado externo, o canal de escoamento segue estreito. Desde 22 de julho, o etanol brasileiro enfrenta uma tarifa de 37,5% nos Estados Unidos, retraindo embarques para o mercado norte-americano e intensificando a disputa de mercado com o produto de milho dos EUA em outros portos globais. A consolidação de um ciclo contínuo de alta dependerá da rapidez do consumo interno em absorver os volumes estocados nos próximos meses.
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