Algodão 26-06-2025 | 14:29:00

Alta rentabilidade e resistência à seca impulsionam retomada do algodão no Paraná

Estado que já foi líder na produção nacional começa a recuperar espaço, com aumento da área cultivada e bons resultados de produtividade

Por: Redação RuralNews

“Há coisas importantes acontecendo no Paraná, com a volta do plantio do algodão na região Noroeste e Norte do Estado. Está crescendo muito, e é mais uma opção para rotação de cultura e melhoria da renda do produtor rural”, afirmou o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Marcio Nunes.
VEJA TAMBÉM:

Com menor demanda hídrica e exigência de muitas horas de sol, o algodão apresenta boa adaptação a regiões como o Noroeste paranaense, que tem clima semelhante ao do cerrado, principal polo de produção no Brasil. A fertilidade do solo no Estado permite ainda reduzir pela metade a necessidade de adubação em relação ao cerrado.
Área plantada com algodão avança no Paraná e deve mais que dobrar em 2025. Foto: UEM


Embora a produção atual ainda seja pequena – cerca de 2,4 mil toneladas –, a demanda se mantém elevada. Segundo a Associação dos Cotonicultores Paranaenses (Acopar), seriam necessários 50 mil hectares plantados para atender o consumo interno. Levantamento da entidade, de 2014, indicava que o parque têxtil do Estado consumia cerca de 60 mil toneladas de pluma, abastecendo pelo menos 10 fiações e 7 tecelagens que hoje dependem do algodão produzido no cerrado.

Segundo o presidente da Acopar, Almir Montecelli, a cotonicultura pode hoje oferecer o dobro da lucratividade da soja, com potencial de produtividade de até 700 arrobas por alqueire. “O Paraná planta para colher 500 arrobas por alqueire e nessas condições ele dá o dobro de lucratividade da soja”, afirmou. Ele destaca ainda a redução do impacto de pragas como o bicudo do algodoeiro, hoje controlado com cerca de 7 aplicações de inseticida – metade do volume necessário em outras regiões produtoras – e sem uso de fungicidas.

A cultura também contribui para a preservação do solo, podendo evitar a necessidade de uma segunda safra no mesmo ano e beneficiar o cultivo subsequente.

Em 2024, apenas cinco municípios paranaenses registraram produção comercial de algodão no Valor Bruto da Produção (VBP), com destaque para Sertaneja, no Norte do Estado. O município aumentou sua área de cultivo de 124 para 520 hectares, com produção saltando de 601 para 2.095 toneladas. O VBP dobrou, passando de R$ 8,8 milhões para R$ 18,3 milhões. Em Assaí e Jataizinho a produção foi mantida, enquanto Andirá e Nova Santa Bárbara iniciaram o cultivo.

A expectativa da Acopar é que a área plantada aumente em 2025, passando dos atuais 584 hectares para cerca de 1,5 mil hectares no Estado.

TAGS:
Algodão - Colheita - Colheita Algodão - Safra de algodão - Produção - Rentabilidade - Paraná


Texto publicado originalmente em Notícias
Leia também: