Instituto de Pesca cria banco genético de tilápia no Brasil
Estrutura inédita preserva linhagens da espécie e amplia o suporte a pesquisas e programas de melhoramento genético na aquicultura nacional
Banco de germoplasma do Instituto de Pesca preserva a diversidade genética da tilápia-do-nilo. Foto: Instituto de Pesca / Divulgação
Pesquisadores do Instituto de Pesca (IP-Apta), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, criaram o primeiro banco nacional amplo de germoplasma de tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus). A iniciativa integra um estudo conduzido no âmbito do Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD), pelo Núcleo de Pesquisa Pescado para Saúde, em parceria com universidades brasileiras e internacionais.
Ao longo do trabalho, a equipe analisou características genéticas e fenotípicas da espécie a partir de populações distribuídas em diferentes regiões do país. Para isso, avaliou exemplares provenientes de São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e Ceará, que representam estoques comerciais, populações cultivadas e grupos de origens distintas. Atualmente, a tilápia lidera a produção aquícola no Brasil e se consolida como a principal espécie do setor.
Diversidade genética orienta a pesquisa
A pesquisa resultou na implantação de um banco de germoplasma que funciona como um verdadeiro “arquivo vivo” de material genético. Dessa forma, a estrutura reúne e preserva diferentes linhagens da tilápia-do-nilo, garantindo a conservação da diversidade genética. Além disso, o banco apoia pesquisas científicas e fortalece programas de melhoramento genético na aquicultura nacional.
Os resultados foram publicados na revista científica Critical Insights in Aquaculture. Durante o estudo, os pesquisadores analisaram características corporais, como comprimento, peso e altura, além do potencial de rendimento de filé, avaliado por meio de ultrassonografia. Paralelamente, realizaram análises genéticas com o uso de marcadores moleculares.
Embora as populações apresentem poucas diferenças fenotípicas visíveis, os dados revelaram elevada diversidade genética. Além disso, o estudo identificou diferentes níveis de diferenciação e isolamento entre os estoques avaliados.
Alertas e oportunidades para a aquicultura
Por um lado, os pesquisadores identificaram níveis preocupantes de endogamia em algumas populações, sobretudo em linhagens mais antigas. Esse fator pode comprometer o desempenho produtivo ao longo do tempo. Por outro, a variabilidade genética encontrada abre oportunidades para estruturar populações-base destinadas a programas de melhoramento genético regionalizados.
Com isso, torna-se possível desenvolver linhagens mais adaptadas às condições ambientais de cada região. No Sul, por exemplo, o foco pode ser a tolerância ao frio. Já no Nordeste, a adaptação ao calor e à salinidade ganha relevância. Além disso, o aumento do rendimento de filé surge como uma meta estratégica para elevar a eficiência produtiva.
Banco atua como “seguro genético” da espécie
A partir desse mapeamento, o Instituto de Pesca estruturou o banco de germoplasma no modelo in situ, mantendo os peixes no próprio local de criação. A conservação ocorre na Divisão Avançada de Pesquisa e Desenvolvimento do Pescado Continental (DAPDPC), em São José do Rio Preto (SP).
Segundo os pesquisadores, o banco oferece suporte contínuo a estudos científicos e contribui diretamente para o desenvolvimento de linhagens mais produtivas e sustentáveis. Como resultado, a iniciativa ajuda a reduzir custos, aumentar a produtividade e fortalecer a segurança alimentar.
Para o pesquisador Fernando Stopato da Fonseca, do Instituto de Pesca, o banco representa um avanço estratégico para o setor. “O banco de germoplasma funciona como um verdadeiro seguro genético da tilápia no Brasil. Ele preserva linhagens importantes, apoia pesquisas futuras e contribui diretamente para a sustentabilidade da aquicultura”, afirma.
