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Farsul alerta para risco de efeito cascata no crédito rural

Entidade aponta juros elevados, renegociações a taxas de mercado e desequilíbrio fiscal como fatores centrais do endividamento do setor

Farsul alerta para risco de efeito cascata no crédito rural

Farsul alerta para o avanço do endividamento rural e para os riscos das renegociações de crédito a juros de mercado no Brasil. Foto: Canva

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Foto do autor Redação RuralNews
07/01/2026 |

A situação financeira do agronegócio brasileiro acendeu um sinal de alerta. Em nota técnica baseada em dados do Banco Central, a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) mostra que a carteira estressada do crédito rural avançou de forma acelerada ao longo de 2025. O indicador, que reúne atrasos, inadimplência e dívidas renegociadas, passou de R$ 72,2 bilhões em julho de 2024 para R$ 123,6 bilhões em novembro de 2025, um crescimento de 71%.

Atualmente, cerca de 15% de toda a carteira ativa de crédito rural no Brasil, estimada em R$ 812,7 bilhões, apresenta algum nível de estresse financeiro. Diferentemente de crises anteriores, o cenário não está ligado a eventos climáticos. Pelo contrário, o país colheu uma safra recorde em 2025, o que reforça o caráter econômico do problema.

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Juros elevados ampliam pressão sobre o endividamento

Segundo a Farsul, o principal fator de pressão sobre o crédito rural é o elevado patamar das taxas de juros. Ainda assim, a entidade faz uma ressalva importante. A origem do problema não está na política monetária. O desequilíbrio fiscal pressiona a inflação e, como consequência, exige a manutenção de juros altos. Nesse contexto, a federação reafirma apoio às decisões do Comitê de Política Monetária no controle inflacionário.

Além disso, a análise da execução da Medida Provisória nº 1.314/2025 e da Resolução CMN nº 5.247/2025 revela distorções relevantes. Dos R$ 28,2 bilhões renegociados até dezembro de 2025, apenas R$ 5,4 bilhões utilizaram recursos públicos com juros subsidiados. A maior parte, equivalente a 81%, foi renegociada com recursos livres, sujeitos às taxas de mercado.

Renegociações podem gerar efeito cumulativo

Para a Farsul, renegociar dívidas a juros de mercado em um ambiente de Selic elevada tende a agravar o problema. Mesmo com prazos maiores e períodos de carência, o saldo devedor cresce ao longo do tempo. Assim, a solução pode se transformar em um novo foco de estresse financeiro, criando um efeito cumulativo no passivo dos produtores.

Outro ponto destacado é a concentração dos recursos. Enquanto o Tesouro Nacional direcionou o crédito subsidiado ao Pronaf e ao Pronamp, os demais produtores ficaram praticamente dependentes das taxas livres. Todo o volume renegociado com recursos de mercado foi destinado a esse grupo, o que evidencia limitações na efetividade das políticas públicas atuais.

Para o curto prazo, a entidade projeta a continuidade do agravamento do quadro no primeiro semestre de 2026. A expectativa é de estabilização apenas após o mês de maio, desde que haja melhora no cenário fiscal e ausência de novos choques econômicos.

Como alternativa, a Farsul defende a aprovação do Projeto de Lei nº 5.122, em tramitação no Senado. A proposta é vista como mais adequada para estruturar o endividamento do setor. Além disso, a entidade recomenda reduzir a dependência de renegociações a juros de mercado e avançar em medidas que ataquem o desequilíbrio fiscal e ampliem o alcance do apoio aos produtores mais expostos.

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Editor RuralNews
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TAGS: #Farsul # Efeito Cascata
# Crédito rural # Entidade # Juros elevados # Renegociações
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