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Ataque dos EUA à Venezuela eleva incertezas no mercado de petróleo

Ação militar aumenta risco sobre exportações venezuelanas, mas oferta global elevada limita impactos imediatos nos preços internacionais

Ataque dos EUA à Venezuela eleva incertezas no mercado de petróleo

Mercado acompanha possíveis impactos na oferta de petróleo venezuelano após ação militar dos EUA. Foto: Canva

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Foto do autor Redação RuralNews
06/01/2026 |

A reação do mercado internacional de petróleo ao ataque dos Estados Unidos à Venezuela e à captura do presidente Nicolás Maduro foi marcada por volatilidade inicial, seguida por acomodação. Segundo análise de Gustavo Vasquez, gerente de petróleo e GLP da Argus, o aumento das tensões geopolíticas sustentou preços mais firmes antes da ação militar. No entanto, após o ataque, as cotações passaram a cair ou se estabilizar, pressionadas pela ampla oferta global da commodity.

De forma geral, o episódio elevou a percepção de risco, mas não provocou choques imediatos no mercado. Ainda assim, o cenário aumentou as incertezas em torno da produção e, principalmente, das exportações venezuelanas.

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Reação dos preços e percepção do mercado

Antes do ataque, o avanço das tensões entre Estados Unidos e Venezuela contribuiu para a sustentação dos preços do petróleo. Contudo, logo após a captura de Maduro, o mercado reagiu de forma contida. A oferta global elevada limitou movimentos mais expressivos de alta.

Segundo Vasquez, esse comportamento reflete um mercado bem abastecido, capaz de absorver choques geopolíticos pontuais sem grandes distorções nos preços internacionais.

Exportações sob risco e cautela dos agentes

O ataque ampliou um ambiente de incerteza que já se desenhava nas semanas anteriores. Antes mesmo da ação militar, fornecedores demonstravam resistência em oferecer cargas de petróleo venezuelano.

Após a apreensão de dois navios pelos EUA em dezembro, vendedores passaram a reter ofertas do petróleo Merey, especialmente para entregas no fim de janeiro. Além disso, o mercado já precificava possíveis interrupções mais relevantes a partir do final do primeiro trimestre de 2026.

Caso ocorram cortes prolongados nas exportações, o impacto tende a se concentrar no segmento de petróleo pesado e com alto teor de enxofre, nicho em que a Venezuela atua de forma mais específica.

Papel limitado da Venezuela no mercado global

Apesar da relevância regional, a Venezuela não está plenamente integrada ao mercado internacional de petróleo devido às sanções dos Estados Unidos. Atualmente, refinarias independentes da China absorvem a maior parte das exportações venezuelanas.

Em 2025, esse fluxo atingiu cerca de 430 mil barris por dia, volume que representou menos de 20% do processamento das refinarias privadas chinesas. As estatais do país asiático, por sua vez, não importam petróleo venezuelano, mesmo diante de descontos expressivos em relação ao Brent.

Os Estados Unidos aparecem como o segundo principal destino, com cerca de 120 mil barris por dia importados em dezembro. Nesse caso, a Chevron é a única empresa autorizada a operar e importar petróleo venezuelano.

Limites da produção e gargalos estruturais

De acordo com a Argus, não há perspectiva realista de aumento imediato da produção venezuelana. Em novembro, o país produziu cerca de 934 mil barris por dia, patamar bem abaixo dos níveis registrados antes das sanções.

Para retomar volumes superiores, seriam necessários investimentos significativos e mudanças profundas no ambiente político e regulatório. No entanto, Vasquez avalia que esse cenário permanece improvável diante da instabilidade atual.

Além disso, a reconstrução da infraestrutura petrolífera representa um desafio de longo prazo. Restaurar a capacidade produtiva exigiria anos de trabalho e investimentos bilionários. Refinarias seguem deterioradas, após décadas de baixa manutenção, apagões frequentes e perda de mão de obra qualificada.

Fretes mantêm estabilidade na América Latina

No mercado de fretes, o impacto do ataque foi limitado até o momento. As exportações venezuelanas continuam sendo realizadas, em sua maioria, por navios da chamada “frota sombra”, fora do mercado convencional de petroleiros.

Enquanto isso, o afretamento de navios na América Latina permaneceu estável. As taxas da rota Brasil–China seguem no menor nível dos últimos cinco meses, sem sinais imediatos de pressão.

China sente impacto político, mas não vê escassez

A China reagiu com indignação à prisão de Maduro, sobretudo devido aos investimentos no setor upstream venezuelano e a dívidas estimadas em cerca de US$ 12 bilhões. Ainda assim, Vasquez destaca que não há risco de escassez global de petróleo.

O principal ponto de atenção está no fornecimento do petróleo Merey-16, essencial para a produção de betume na província de Shandong. Caso haja interrupções, a tendência mais provável é a redução da produção de betume a partir de março, quando chegam ao mercado as cargas negociadas atualmente.

Mesmo nesse cenário, a China dispõe de alternativas de fornecimento, o que reduz o potencial de impacto sobre os preços globais do petróleo.

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Editor RuralNews
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TAGS: #EUA # Atauqe
# Venezuela # Petróleo # Exportações # Oferta global
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