Segurança Alimentar 26-06-2021 | 11:40:00

Segurança alimentar e o papel do Brasil na oferta mundial de alimentos

Andréia Adami *

Por: Redação RuralNews

O conceito de Segurança Alimentar pode ser avaliado sob duas dimensões: qualidade e quantidade. Primeiramente, o termo Food Safety, ou saúde do alimento, refere-se à qualidade dos alimentos, e externa preocupações com contaminações de naturezas físicas, químicas e biológicas nos seus processos de produção, processamento, logísticos e preparação final que podem levar a prejuízos à saúde humana e ao meio ambiente. Já o termo Food Security, ou Segurança Alimentar em seu sentido mais estrito, refere-se à disponibilidade de alimentos em quantidade suficiente para suprir as necessidades de todos os habitantes de um determinado país ou até mesmo de todos os habitantes do planeta.
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Quando tratamos da dimensão quantidade, o Brasil é tido como um caso de sucesso. O País é hoje um dos principais produtores mundiais e tem produzido quantidade de alimento suficiente para abastecer seu mercado doméstico e boa parte da demanda externa. Segundo informações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos da América (USDA), o Brasil é atualmente o maior exportador de carnes (bovina e de frango), soja em grão, açúcar, suco de laranja e café; além de estar entre os principais exportadores de algodão, milho, frutas, carne suína e produtos do setor florestal.


É fato que o País é hoje uma grande potência no quesito produção de alimentos e pode produzir muito mais, devido a suas vantagens comparativas, como disponibilidade de recursos naturais (água e terra), em relação aos outros países. Contudo, é interessante observar a dinâmica histórica para entender como o Brasil chegou à posição tão privilegiada nos dias de hoje e quais seus desafios para manter o crescimento da produção agropecuária nos próximos anos de forma sustentável.


Apesar de ter sua economia atrelada à produção agropecuária durante toda sua existência, o Brasil dependia significativamente de importações de alimentos até a década de 1970. Já ao final dos anos 1970, o País adotou como estratégia de segurança alimentar investir na produção doméstica de alimentos. O apoio à produção agropecuária se deu na forma de crédito agrícola para custeio e investimento, e também no desenvolvimento de ferramentas de sustentação de preços, que, a partir do início dos anos 2000, tiveram participação de instrumentos de apoio ao setor em conjunto com a iniciativa privada. Além disso, o investimento em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) gerou novas tecnologias que viabilizaram a produção de grãos no Cerrado e, mais tarde, nos anos 2000, na região conhecida como Matopiba (estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).


As inovações tecnológicas na agricultura levaram a um nível maior de produtividade no campo, permitindo, assim, que a produção agrícola mais que quadruplicasse no período de 1990 a 2020, enquanto a área utilizada para a produção de grãos crescia apenas 68% nesse mesmo período, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já no caso de algumas culturas, como o café e a laranja, houve crescimento da produção com queda de área. Desse modo, foi por meio de investimento e incentivo à P&D que o País vivenciou, no final do século passado, o período conhecido como “Revolução Verde”.


A autossuficiência alimentar é um desafio para o desenvolvimento econômico e a estabilidade social para as próximas gerações, visto que os recursos naturais são limitados e que parte da produção no campo é alocada para fins não alimentares, como produção de biocombustíveis, fibras, matérias-primas industriais e serviços ecossistêmicos. Assim, para promover a expansão da produção e do rendimento agrícola, a utilização de agroquímicos, máquinas agrícolas e tecnologias biológica e de informação tornou-se uma necessidade, para garantir que a produtividade potencial seja alcançada, e que não haja perdas nas lavouras.
        
No entanto, esses produtos e recursos devem ser usados de forma racional e em conformidade com as recomendações científicas, de modo a minimizar impactos danosos à saúde de produtores e consumidores e aos recursos naturais durante seu fluxo ao longo das cadeias produtivas. Desse modo, mais uma vez, o desenvolvimento de novas tecnologias de produção sustentável e menos impactantes ao meio ambiente será o caminho para se garantir a Segurança Alimentar extensiva às gerações futuras.


(*) Andréia Adami é pesquisadora da área de Macroeconomia do Cepea. Esse artigo foi publicado originalmente no site da instituição. 

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Texto publicado originalmente em Notícias
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