Clima e pastagens desafiam pecuária no RS
Produtores intensificam uso de silagem e ajustes nutricionais diante do estresse térmico
O cenário da pecuária no Rio Grande do Sul tem sido marcado pela transição entre as pastagens de verão e a implantação das espécies de inverno, impactando diretamente a qualidade da alimentação dos rebanhos. Apesar de ainda haver oferta de volumoso em diversas regiões, o valor nutricional das pastagens está em queda.
Segundo a Emater/RS-Ascar, as chuvas recentes têm favorecido a germinação das pastagens hibernais, mas o período exige atenção redobrada no planejamento alimentar, especialmente no curto prazo.
Na bovinocultura de corte, o desempenho dos animais segue estável, com manutenção das condições corporais. No entanto, o calor e a alta umidade têm imposto desafios ao manejo, podendo afetar o desempenho reprodutivo e o bem-estar animal. Há relatos de preocupação com possíveis perdas reprodutivas em função do estresse térmico.
Já na bovinocultura de leite, alguns sistemas registraram queda na produção, principalmente aqueles mais dependentes de pastagens. As temperaturas elevadas e a irregularidade das chuvas têm intensificado o desconforto térmico, reduzindo o tempo de pastejo e impactando o rendimento dos animais.
Diante desse cenário, produtores têm intensificado o uso de silagem e ajustado a dieta dos rebanhos para manter a produtividade. A qualidade da silagem de milho nesta safra tem contribuído para amenizar os efeitos da transição forrageira, permitindo maior equilíbrio nutricional.
Além disso, investimentos em melhoria genética e acesso a crédito seguem em andamento em algumas regiões, reforçando a busca por maior eficiência produtiva, mesmo diante dos desafios climáticos.