Os produtores de leite integrantes da Rede Elite a Pasto, baseados em Júlio de Castilhos (RS), participaram de uma reunião técnica focada em inovação e quebra de paradigmas para o manejo de pastagens. O encontro debateu a viabilidade prática do Pastoreio Rotatínuo, metodologia que substitui os cronogramas rígidos de calendário pela observação direta do comportamento de pastejo e do desenvolvimento da planta. A atividade ocorreu na propriedade de Givanildo de Oliveira, localizada na comunidade de Ramada.
Na unidade de produção, o pecuarista validou o manejo de pasto em área contínua — ou seja, sem a necessidade de subdivisões em piquetes tradicionais —, utilizando exclusivamente o controle de altura da vegetação conforme os parâmetros técnicos estabelecidos pela Emater/RS-Ascar. O sistema comprova que a estrutura morfológica do pasto é a principal referência necessária para a tomada de decisões assertivas no campo.
Fungo benéfico mostra eficiência contra principal doença da pupunheira
Estudo em solos arenosos do Paraná aponta terraço como escudo contra erosão
Prevenção reduz incêndios em canaviais de Goiás
Como funciona o Pastoreio Rotatínuo?
Ao contrário do sistema rotativo convencional — onde o rebanho é transferido entre potreiros em intervalos de dias previamente fixados —, o Pastoreio Rotatínuo prioriza a eficiência de bocado do animal. A estratégia consiste em oferecer a forragem em sua estrutura (altura) considerada ótima. Nesse ponto específico do ciclo da planta, a taxa de ingestão de matéria seca é máxima, permitindo que as vacas consumam um volume maior de alimento em menos tempo.
Técnicos explicam que o conceito pode ser aplicado com ou sem a divisão física de cercas, desde que a comunidade de plantas seja mantida nessa faixa ideal de altura. O foco do treinamento foi capacitar os produtores gaúchos para monitorar o comportamento do rebanho e identificar visualmente os limiares que evitam o subpastejo (desperdício de capim passado) e o superpastejo (rapagem excessiva que atrasa o rebrote).
"Com o Pastoreio Rotatínuo, ainda que o manejo seja feito com piquetes diários, acabamos manejando sempre com poucos e grandes piquetes, já que o rebrote do pasto é muito rápido com o pastejo de baixa intensidade. A partir do momento em que assumimos as divisões em piquetes como ferramentas para controle da estrutura do pasto, e não como o centro do manejo, abrimos a possibilidade de controlar essas alturas também com piquetes para vários dias ou até sem piquetes, em área contínua, como demonstramos a campo. Isso representa uma oportunidade de simplificar a mão de obra e reduzir custos, sem abrir mão da eficiência e da produtividade", destaca o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Leandro Ebert.
Troca de experiências e evolução do projeto
O encontro consolida a segunda rodada de capacitações da Rede Elite a Pasto. No ciclo anterior, o grupo de produtores debateu o manejo estratégico da suplementação alimentar no cocho, traçando diretrizes para mitigar os efeitos de vazios forrageiros e potencializar a conversão alimentar nos momentos de pico produtivo das pastagens tropicais e hibernais.
O Projeto de Desenvolvimento da Produção Leiteira Eficiente à Base de Pasto (Rede Elite a Pasto) foi implementado pela Emater/RS-Ascar em cooperação com os produtores locais. A iniciativa assiste atualmente 30 famílias rurais da região central do Rio Grande do Sul, divididas em quatro núcleos técnicos que englobam a cadeia do leite e a bovinocultura de corte.
Siga o portal RuralNews nas redes sociais
Acompanhe as principais notícias do agro em tempo real.
