Produtores de café de MG iniciam colheita de olho no clima

Uma pequena frente fria, com temperaturas negativas, trouxe pequenos danos à cultura no Sul de MG, mas não chegou a causar estragos significativos
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André Fernandes
Especial para Rural News

Publicado em 22/06/2022

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Uma primeira frente fria atingiu as regiões produtoras de café em Minas Gerais no mês de maio, trazendo apreensão aos produtores do Estado. Porém, as temperaturas mínimas não chegaram a ficar negativas, mantendo-se em 2 a 3 graus nas baixadas, o que trouxe apenas pequenos danos às folhas mais novas. No Sul do Estado, houve uma queima de frutos, algo que não se via há muito tempo, porém, pelo grau de maturação, não vai prejudicar em nada a qualidade do café.

A colheita em MG começou em meados de maio, ritmo que vai aumentar agora em junho e vai durar até três meses e até um pouco mais em algumas regiões. Na região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, o clima é propício para a produção de grãos com mais qualidade, com um inverno muito seco, onde não chove uma gota ate final de agosto e setembro .Isso favorece muito a qualidade do café, aumentando a concentração de açúcar, um fator muito importante para a qualidade do café do cerrado.enbsp;No Sul de Minas Gerais, acontece algumas chuvas, que prejudicam aenbsp; qualidade em algumas localidade, pois o café começa a fermentar no pé. Existem alguns tipos de fermentações desejadas, porém, somente depois das provas de xícaras vai ser possível avaliar os efeitos.

Atualmente a colheita está atrasada, com os café ainda em maturação. A maior parte da colheita é mecanizada e as máquinas não conseguem tirar os frutos em função da umidade trazida pelas chuvas dos últimos dias.enbsp;Na região do Serrado mineiro é seca no inverno e na colheita, o que confere qualidade melhor ao café do cerrado, sem fermentações indesejadas. A chuva, que afeta a qualidade do café, não está prevista neste período, porém há perspectiva de frio intenso para o Estado de Minas Gerais, principalmente na primeira semana de julho, o que traz risco de geadas nas regiões cafeeiras do Estado.

CLIMA
A expectativa para este ano ainda é de mais duas frentes frias no Brasil, uma em meados de junho e uma muito intensa no final do mês de julho, o que traz apreensão aos produtores mineiros.enbsp;Todos ainda estão se recuperando da geada muito forte que aconteceu em julho de 2021, que trouxe muitas perdas e traumatizou os produtores de café de MG. Nos últimos anos, a expectativa é de um inverno muito mais frio que a média histórica dos últimos 30 anos.

PREÇOS
Em relação aos preços, que estão se mantendo entre R$ 1.300 e R$ 1.400 a saca, se vier as ondas frias, espera-se uma elevação. O mercado ainda precisa de café, pois os estoques mundiais estão muito baixos. A seca de 2020/21 e a geada do ano passado prejudicou muito os estoques. A tendência natural é de que para este ano, os preços aumentem, tanto das commodities quanto na gôndola do consumidor final.enbsp;Um fator que tem contribuído para a elevação dos preços é oenbsp; consumo interno, que na pandemia teve um aumento grande de consumo de café de coador. Assim, somando-se esses fatores com as intempéries climáticas, o preço irá elevar consideravelmente.


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