A cena encontrada pela comitiva do Estradeiro BR-163 – Do Campo ao Porto acendeu o alerta no Norte do país. Liderado pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso, o grupo percorreu nesta segunda-feira (23) o trecho entre o KM 30 e os terminais portuários de Miritituba (PA) e se deparou com mais de 25 quilômetros de caminhões carregados com soja aguardando para descarregar.
Soja ensaia reação em Chicago após perdas, mas produtor segura vendas
Soja recua em Chicago com clima nos EUA e leilões chineses
Safra de soja deve atingir 180,5 mi t com recorde de esmagamento no País
A comitiva, formada por presidentes de 20 sindicatos rurais, acompanhou de perto as condições logísticas do escoamento da safra mato-grossense pelo Arco Norte. O trajeto de pouco mais de 30 quilômetros revelou um cenário de congestionamento, demora na triagem e reclamações de falta de estrutura básica.Motoristas relataram longas horas e até dias de espera, além de falta de apoio básico nas filas. Segundo eles, faltam banheiros, pontos de apoio e organização no fluxo de entrada nos terminais.
Para o presidente da Famato, Vilmondes Tomain, o gargalo não pode ser tratado como algo normal durante o pico da safra. “Esse é um Brasil que transforma, que gera riqueza. Mas é preciso respeito com quem está trabalhando. O que estamos vendo aqui é falta de respeito com essas pessoas”, afirmou.
Vilmondes defende união entre governos estaduais, União e setor produtivo para acelerar soluções estruturantes. Ele citou a necessidade de envolvimento direto do Ministério da Agricultura e Pecuária e do Ministério dos Transportes para avaliar a situação no local. “Não é possível enfrentar uma fila gigante como essa para fazer triagem e descarregar. Isso não tem lógica. Precisamos unir forças para trazer soluções concretas”, reforçou.
Na fila, o caminhoneiro Luigi Brischiliari descreveu a rotina de quem aguarda para descarregar. “A gente fica jogado. Não tem banheiro, não tem estrutura. São muitos pais de família passando dificuldade. Isso mexe com o psicológico”, relatou
.Outro motorista, Rodrigo Caicara, apontou falhas na triagem e na capacidade de recebimento das empresas instaladas no porto. “O que falta aqui é organização. Tem empresa que não está conseguindo receber os caminhões, e isso vai acumulando. Estou parado há dias”, afirmou.
A agenda do Estradeiro segue ao longo da semana, com visitas às etapas de transbordo e portos do Arco Norte. O objetivo é reunir dados técnicos para embasar propostas voltadas à infraestrutura, competitividade e melhores condições de trabalho no transporte de cargas.
Siga o portal RuralNews nas redes sociais
Acompanhe as principais notícias do agro em tempo real.
