O anúncio de um pacote de apoio de R$ 104 milhões pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), nesta terça-feira (23), foi recebido de forma positiva pelo setor lácteo. Ainda assim, indústrias, cooperativas e produtores alertaram que o volume é insuficiente e defenderam a adoção de um conjunto mais amplo de medidas, com impacto imediato, para enfrentar a crise que afeta a atividade.
Entre as demandas apresentadas pelo setor estão a criação de um benefício tributário para empresas de alimentos que utilizam leite em pó nacional, a aplicação de uma sobretaxa de 50% sobre leite em pó, manteiga, soro e muçarela importados da Argentina e do Uruguai, além da suspensão emergencial, por seis meses, das compras desses produtos oriundos do Mercosul. As entidades também pedem a adoção de uma sobretaxa adicional e provisória até a conclusão da investigação antidumping em andamento no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).
Custos da produção de leite seguem em alta no RS
CNA critica suspensão do antidumping sobre leite importado
Produção artesanal de queijo avança em São Paulo
Durante reunião realizada pela manhã, o presidente da Conab, Edegar Pretto, explicou que os recursos serão destinados à compra de leite em pó por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Segundo ele, o aporte prioriza pequenos produtores e terá como destino famílias em situação de vulnerabilidade social.
Apesar disso, o secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini, chamou atenção para a forma de distribuição dos recursos entre os estados. Segundo ele, o rateio desconsidera as diferentes realidades regionais, especialmente no Sul do país. A estimativa é que o Rio Grande do Sul receba cerca de 44% do total, volume suficiente para escoar menos de 2 mil toneladas. “Esse montante está muito aquém do que o setor necessita neste momento”, afirmou.
Palharini reforçou que, embora o anúncio represente um avanço, ele não resolve o problema de rentabilidade enfrentado pelo setor nos últimos meses. “As medidas ajudam, mas os governos precisam compreender a urgência da situação. O impacto precisa ser imediato”, ressaltou.
De acordo com o executivo, a atual crise de excesso de oferta no mercado brasileiro resulta principalmente do aumento das importações. Indústrias alimentícias que utilizam leite em pó na fabricação de chocolates, pães e biscoitos passaram a recorrer ao produto importado, reduzindo a compra do insumo nacional. “Esse movimento substituiu um produto que antes era adquirido de empresas e produtores brasileiros”, destacou.
Também presente na reunião, o secretário de Agricultura do Rio Grande do Sul, Edivilson Brum, avaliou de forma positiva as iniciativas já anunciadas. Ele ressaltou a importância da bacia leiteira gaúcha e afirmou que o governo estadual também realizará compras por meio das secretarias de Desenvolvimento Rural e de Desenvolvimento Social.
Para Brum, no entanto, o fortalecimento do setor passa pela abertura de novos mercados. “Essas ações ajudam, mas o ideal seria avançar na exportação de leite. Esse seria um passo decisivo para fortalecer a economia gaúcha”, concluiu.
Siga o portal RuralNews nas redes sociais
Acompanhe as principais notícias do agro em tempo real.
