As equipes do Rally da Safra confirmaram em campo o que os primeiros dados já indicavam: o Brasil colhe uma safra histórica de milho. Segundo a Agroconsult, organizadora da expedição, a segunda safra deve alcançar 123,3 milhões de toneladas, superando em 10,4 milhões a estimativa anterior (de 21 de maio) e em 20,2 milhões de toneladas a produção da temporada 2023/24.
A produtividade média nacional chegou a 113,8 sacas por hectare, a maior já registrada no país. Inicialmente, a previsão era de 105 sacas por hectare, mas a combinação de clima favorável e bom manejo foi decisiva para a alta. Apesar do atraso no plantio, as chuvas de abril, maio e até junho garantiram umidade para o enchimento dos grãos. A ausência de geadas amplas também favoreceu o resultado.
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De acordo com o coordenador do Rally da Safra, André Debastiani, lavouras precoces, médias e tardias conseguiram manter alto rendimento. “As lavouras tardias, principalmente, vão entregar uma produtividade nunca vista, graças à prolongação das chuvas”, afirma.
Mesmo com redução pontual na população de plantas em áreas do Oeste e Sudeste do Mato Grosso, houve aumento expressivo no número de espigas e grãos por espiga. A presença de lagartas, embora preocupante, teve controle eficiente, sem impacto significativo sobre a produção.
Todos os principais estados produtores registraram recordes de produtividade. Mato Grosso atingirá 131,9 sacas por hectare (alta de 11,6%), Goiás 126,1 sacas (crescimento de 5,6%), Mato Grosso do Sul 98,1 sacas (alta de 35,1%) e Paraná 106,5 sacas (aumento de 16,5%).
A produção também cresceu com a expansão de 5,7% na área plantada, totalizando 18,1 milhões de hectares, cerca de 1,2 milhão a mais do que o número oficial da Conab. A ferramenta Cropdata, da Agroconsult, foi usada para revisar e confirmar a nova estimativa.
Com o milho verão somando mais 27 milhões de toneladas, a produção total deve atingir 150,3 milhões de toneladas. Esse volume traz desafios logísticos, especialmente de armazenagem, com possibilidade de parte do grão ser estocada a céu aberto, como já ocorreu em safras anteriores.
O consumo interno também apresenta sinais de recuperação, com destaque para o mercado de rações e o setor de etanol de milho. A demanda interna deve alcançar 97 milhões de toneladas. Já as exportações são estimadas em 44,5 milhões de toneladas, mas o volume pode variar conforme o cenário internacional e o desempenho das safras americana e argentina, além de fatores geopolíticos, como a guerra entre Israel e Irã.
Entre maio e junho, seis equipes percorreram lavouras da segunda safra de milho em Mato Grosso, Rondônia, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná. A 22ª edição do Rally da Safra é patrocinada por empresas como Banco Santander, BASF, Credenz®, SoyTech™, xarvio®, BIOTROP, JDT Seguros, TIM Brasil e Viasoft.
Durante 124 dias de expedição, as equipes percorreram quase 104 mil quilômetros e avaliaram mais de 2,2 mil lavouras de soja e milho nos principais estados produtores. Foram analisadas 1,6 mil áreas de soja e 608 de milho, além da realização de eventos técnicos e visitas a 349 produtores e técnicos.
Etapa inédita de algodão
Entre julho e agosto, o Rally da Safra realizará pela primeira vez um levantamento específico sobre o algodão, com visitas a propriedades em Mato Grosso e Bahia. A iniciativa busca suprir lacunas na análise da produção algodoeira, abordando temas como produtividade, rastreabilidade, certificações, beneficiamento e logística.
A equipe fará visitas técnicas a grupos agrícolas, unidades de beneficiamento e eventos regionais em Cuiabá e Luís Eduardo Magalhães. Os resultados da etapa do algodão serão divulgados em setembro.
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