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Palmito pupunha leva São Paulo a nove IGs do agro e soma 12 no estado

Foto do autor Francieli Galo
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Palmito pupunha leva São Paulo a nove IGs do agro e soma 12 no estado
IG do palmito pupunha do Vale do Ribeira eleva São Paulo a nove Indicações Geográficas do agro. Foto: Secretaria da Agricultura e do Abastecimento de SP / Divulgação

Reconhecimento do palmito pupunha do Vale do Ribeira fortalece a identidade regional e consolida São Paulo como referência nacional em Indicações Geográficas

Com 12 Indicações Geográficas (IGs) reconhecidas, São Paulo amplia a valorização territorial e consolida sua liderança no agro nacional. Deste total, nove são ligadas diretamente à agropecuária. A mais recente é a IG do palmito pupunha do Vale do Ribeira, que reforça o protagonismo da região e o reconhecimento de uma cadeia produtiva já consolidada no estado.

A área certificada reúne 22 municípios e recebeu o selo de Indicação Geográfica para o palmito pupunha, produto que posiciona São Paulo entre os principais polos produtores do país. O reconhecimento destaca o trabalho da Associação dos Produtores de Pupunha do Vale do Ribeira (Apuvale), que representa cerca de 1.800 famílias produtoras e 70 agroindústrias.

Segundo Claudio de Andrade e Silva, ex-presidente e atual diretor de marketing da Apuvale, a certificação marca um divisor de águas para o desenvolvimento regional. Ele ressalta que se trata da única indicação de procedência de palmito no mundo e do resultado de um esforço de longo prazo. A cultura da pupunha substituiu o extrativismo predatório da juçara por um modelo agrícola sustentável e economicamente viável.

Valorização do produto e da agricultura familiar

A IG contempla o palmito in natura e processado. Com o registro, o produto pode ser comercializado em diferentes formatos, como tolete, rodelas, estirpe, picado, bandas e espaguete, desde que atendidas as exigências legais.

Para o produtor Jefferson Souza, de Jacupiranga, a certificação amplia a confiança do mercado e cria novas oportunidades comerciais. Ele destaca que a IG fortalece toda a cadeia produtiva e agrega valor ao produto regional.

Jefferson iniciou a produção em 2020, após mudar de vida no período pós-pandemia. Hoje, com agricultura familiar voltada ao palmito in natura, ele reforça o potencial do alimento, que pode ser utilizado em diversas preparações e se destaca pelo baixo teor de carboidratos, além de ser rico em fibras e minerais.

Vale do Ribeira concentra a produção paulista

O palmito é extraído do interior da haste de palmeiras como pupunha, juçara e palmeira-real. No estado, o Vale do Ribeira responde por cerca de 80% do cultivo, em uma área aproximada de 7 mil hectares.

De acordo com o engenheiro agrônomo da CATI, Rogério Sakai, a região reúne condições ideais para a cultura. Os plantios ocorrem majoritariamente em áreas de terras altas, com relevo levemente ondulado e boa distribuição de chuvas ao longo do ano, o que reduz a necessidade de irrigação.

Sakai lembra que a proibição da exploração da juçara impulsionou a migração para a pupunha, já que a espécie permite perfilhamento e se adapta bem ao manejo agrícola, além de reduzir impactos ambientais.

Pesquisa e melhoramento genético fortalecem a cadeia

As primeiras sementes de pupunheira chegaram a São Paulo em 1940, trazidas pelo Instituto Agronômico (IAC). A partir da década de 1970, a cultura passou a ser explorada comercialmente e, nos anos 1980, estudos identificaram o Vale do Ribeira como área ideal para o cultivo.

Atualmente, o IAC mantém programas de melhoramento genético para ampliar a produtividade e a qualidade do palmito. A instituição também possui uma coleção com mais de 400 espécies de palmeiras, nativas e exóticas, com potencial ornamental e produtivo, o que amplia as possibilidades futuras para a cadeia do palmito paulista.

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