Empresas amazônicas movimentam mais de R$ 35 mi durante programa da ApexBrasil
No coração da floresta, 15 importadores de 12 países visitaram polos produtivos da Amazônia e realizaram 231 reuniões de negócios com empresas da região Norte
Exporta Mais Amazôni é promovido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil)
De 19 a 22 de novembro, a cidade de Belém (PA) foi palco de uma iniciativa que reforça o potencial econômico de produtos compatíveis com a floresta amazônica. Durante a segunda edição do Exporta Mais Amazônia, programa promovido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), 15 compradores internacionais de 12 países estiveram na cidade para negociar com 33 empresas da região Norte. O resultado foi um sucesso: R$ 35,2 milhões em acordos comerciais imediatos e futuros, previstos para os próximos 12 meses.
O programa colocou frente a frente empresas locais que produzem açaí, temperos e castanha-do-Brasil, de forma sustentável, com compradores de mercados da China, Polônia, Reino Unido, Índia, Dubai, Emirados Árabes Unidos, África do Sul, França, Peru, Malásia, Israel e Rússia interessados em produtos de compatíveis com a floresta.
Além das rodadas de negócios, os importadores participaram ainda de visitas técnicas que ofereceram uma experiência imersiva no processo produtivo e na cultura local.
“A pujança da economia local faz com que o Brasil volte os olhos para a região amazônica, para difundir e para dar maior visibilidade aos produtos locais”, explicou o representante Regional Norte da ApexBrasil, Essio Lanfredi. “A ideia é poder mostrar a diferença entre preço e valor na hora de fazer negócio. E aqui, nós mostramos os valores da região amazônica”, concluiu.
Bioeconomia e produtos da floresta
A Horta da Terra, agroindústria especializada em Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) e açaí em pó, foi uma das participantes. A empresa atua no modelo de negócio da bioeconomia – aquele que, além de promover a economia, promove preservação ambiental e social.Para André Bastos, diretor Operacional da Horta da Terra, a iniciativa da ApexBrasil foi essencial para demonstrar o potencial da bioeconomia na região. “Pudemos mostrar como nosso modelo de produção alia sustentabilidade e alta produtividade, sem desmatamento. Por meio de práticas agrícolas regenerativas, nós conseguimos produzir diferentes espécies no mesmo local, aumentando a biodiversidade da fauna e da flora”, destacou.
Para ver de perto, os importadores visitaram pessoalmente a fazenda da Horta da Terra, localizada no município de Santo Antônio de Tauá (PA), no coração da Amazônia. Além da agrofloresta, a empresa apresentou como é feita a liofilização - processo nobre de desidratação -, que preserva os nutrientes e facilita a exportação de produtos como açaí, jambú, taioba, cariru e ora-pro-nobis em pó. “Queremos levar os benefícios dos ingredientes amazônicos para o mundo”, afirmou André.
Mais confiança para o negócio
Para os importadores, o impacto da experiência presencial antes de fechar negócios fez toda a diferença. “Conhecer a origem e o processo produtivo nos dá confiança para representar a marca em nosso país”, afirmou o importador indiano Amay Arsani, diretor da Rodaaji Company. Durante a visita na Horta da Terra, Amay provou a flor do Jambú in natura e destacou como a experiência ajudará na apresentação do produto em seu país.Para Dina Aprianti-Nieporecka, da Helio S.A., distribuidora polonesa de castanhas e frutas secas, a viagem superou expectativas: “Importo castanha-do-Brasil há anos, mas nunca tinha visto de perto o processo produtivo. A sustentabilidade da Amazônia agrega muito valor ao mercado europeu”, declarou.
As empresas Manioca – de ingredientes amazônicos -, Mutran Exportadora – de castanhas-do-Brasil -, 100% Amazônia e Bellamazon – ambas de açaí -, também abriram suas portas aos compradores. Para Joanna Martins, diretora da Manioca, a oportunidade de apresentar os produtos, mostrar como é feito e como pode ser usado antes de fazer negócio foi fundamental. “Mostramos como apoiamos os produtores locais e como aplicamos ciência para adaptar os produtos ao mercado internacional”, explicou.
Imersão na cultura amazônica
Para tornar a experiência ainda mais imersiva, com o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-PA) e da Secretaria de Turismo do Estado do Pará (Setur-PA), os compradores tiveram a oportunidade de navegar pelo rio Guamá e conhecer a Ilha do Combu. Lá, eles experimentaram um pouco da culinária amazônica, preparada pela chef local Luna Lopes, caminharam pela floresta amazônica e viram de perto espécies nativas como Samaúma, Taperebá e o famoso Açaizeiro.Gabriel Gaya, da importadora e distribuidora Gaya Foods, do Reino Unido, ressaltou a importância da ação. “Conhecer frutos como o jambu, o cumaru, o cupuaçu, além do açaí, que eu já conheço e vendo bastante – somos pioneiros na venda de açaí no Reino Unido – foi uma experiência fantástica. Acredito que eles têm grande potencial no mercado internacional”.
O suíço Julien Grand, diretor da Açaí Delight, concorda. “Ver de perto como as pessoas vivem, a cultura local, como o açaí é colhido, como as pessoas são apaixonadas pelo que fazem, foi tudo muito enriquecedor. Espero fazer boas parcerias e bons negócios”. Além do açaí, Julien está interessado em frutos amazônicos secos.
Ainda na Ilha do Combu, os compradores também tiveram acesso a outras empresas locais por meio de uma exposição organizada pelo Sebrae-PA. “Mapeamos e trouxemos aqui pequenos negócios locais para mostrar aos compradores todo o nosso potencial, nossa biodiversidade e a bioeconomia, muito presentes na nossa região”, explicou Antônio Romero, gerente de Relacionamento Empresarial do Sebrae-PA, que acompanhou o grupo. Dentre os produtos, estava mel, destilados, chocolates e cosméticos.