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Milho invade as indústrias de produção de etanol

A produção brasileira de etanol de milho deve alcançar 6 bilhões de litros na safra 2023/2024, alta de 36% em relação ao ciclo anterior e de 800% nos últimos cinco anos

Milho invade as indústrias de produção de etanol

Foto do autor Redação RuralNews
19/10/2023 |

Grão se tornou opção rentável para as usinas, especialmente por ser uma matéria-prima que pode ser utilizada o ano todo. Apesar do crescimento, em Goiás especialistas avaliam que é preciso ampliar competitividade frente a outros estados

A produção brasileira de etanol de milho deve alcançar 6 bilhões de litros na safra 2023/2024, alta de 36% em relação ao ciclo anterior e de 800% nos últimos cinco anos, de acordo com projeções da União Nacional do Etanol de Milho (Unem). O crescimento da capacidade produtiva é resultante, principalmente, da ampliação do complexo industrial brasileiro – com evolução da quantidade de usinas – , adoção de tecnologias, aumentando o rendimento industrial, e maior demanda internacional por biocombustíveis. É possível citar como vantagens, ainda, a grande disponibilidade de matéria-prima, principalmente por utilizar milho de segunda safra no País e que traz benefícios quanto à proteção da terra, reciclagem de nutrientes e carbono orgânico no solo, e a contribuição com o processo de descarbonização.

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Em Goiás, na safra 2022/23, foram utilizados 1,1 milhão de toneladas de milho para a produção de etanol. Considerando que o Estado colheu 12 milhões de toneladas - segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) -, este volume representa quase 10% da produção local. Para a próxima safra, a expectativa é de crescimento para 1,2 milhão de toneladas. O etanol de milho já é a segunda principal fonte de consumo do milho goiano, ficando atrás apenas da alimentação animal.

Segundo o coordenador técnico do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag), Alexandro Alves, o etanol de milho tem sido visto como um produto com grande agregação de valor. “Além de fomentar a produção do cereal, especialmente em Goiás e no Mato Grosso, e produzir biocombustível [etanol], ele gera coprodutos como o óleo, o DDG [grãos secos de destilaria] e o DDGS [grãos secos de destilaria com solúveis], estes últimos usados na ração animal. Também fomenta a geração de energia e a produção de florestas plantadas de eucalipto”, informa.

Alexandro explica que existem diferenças entre a cana-de-açúcar e o milho. “A cana tem 54% menos açúcar do que o milho. Ou seja, 1 tonelada dela só faz 89,5 litros de etanol. Apesar de ser mais difícil transformar em açúcar as moléculas de amido, o milho produz mais sacarose e álcool. Uma tonelada rende 407 litros de etanol. A diferença basicamente está no rendimento, sendo que em relação ao produto final é exatamente o mesmo produto, ou seja, a molécula de etanol é uma cadeia carbônica que não possui diferença, independentemente de onde a matéria-prima é oriunda”, afirma.

Indústria

Existem três modelos de usinas de etanol de milho operando no Brasil: a Usina Full (ou dedicadas) – que processa exclusivamente milho para produção de etanol; a Usina Flex, que são aquelas de cana-de-açúcar adequadas para produzir etanol de milho no período da entressafra da cana; e a Usina Flex Full, que são usinas de cana e milho que operam paralelamente. No Estado, são oito plantas que produzem etanol de milho. Duas dedicadas, localizadas em Acreúna e Jataí. Outras três plantas industriais fazem uma safra ou outra. Já as flex full também são três, sendo duas em Quirinópolis e uma em Chapadão do Céu.

O presidente do Sindicato da Indústria de Fabricação de Etanol do Estado de Goiás (Sifaeg), André Rocha, acrescenta que a produção de etanol de milho no Brasil começou com o segundo tipo de unidade, as chamadas unidades flex. “No primeiro momento, algumas unidades que já produziam etanol a partir da cana começaram a fazer modificações em suas plantas para também produzir a partir do milho para justamente aproveitarem o período da entressafra. No período chuvoso, você não consegue produzir etanol a partir da cana, porque não consegue colher a cana no campo por causa da chuva. E você não consegue armazenar a cana. É um produto perecível, uma vez que cortou a cana, a partir de 24 horas, começa a perder o seu teor de sacarose. Ao passo que o milho não, é possível armazenar e aproveitar para fazer a produção de etanol. Então, de abril a novembro ou dezembro produz a partir da cana, e a partir do momento que começa o período chuvoso, começa a produzir etanol do milho”, reforça André.

Ele destaca que as primeiras usinas flex faziam a produção de etanol de milho durante apenas o período da entressafra, então aproveitavam o bagaço das próprias unidades para poder utilizar essa energia para a produção. “Depois teve o início do desenvolvimento de usinas que produziam o etanol do milho durante toda a safra, em paralelo com a de cana, quer dizer, durante todo o ano fazendo a produção do etanol de milho e em sete, oito, nove meses a produção do etanol de cana, aproveitando que eles tinham o principal insumo para a questão da energia que é justamente o bagaço, a biomassa”, relata.

André orienta que o milho é uma excelente oportunidade, porque pega um ativo que é muito caro e consegue utilizar durante todo o ano. “Logicamente, tem também que tomar todos os cuidados com a manutenção da usina, porque normalmente as unidades aproveitam esse período de entressafra para fazer manutenção. Mas hoje as usinas são mais modernas e conseguem programar mais essa questão da manutenção, podendo operar o ano todo”, explica.

Ele complementa que depois que cresceu o uso de milho para a fabricação de etanol, com investimentos em usinas, a produção de milho também aumentou bastante, especialmente em estados como Mato Grosso. “Apesar de as usinas estarem cada vez mais comprando o milho para a produção de etanol, a produção do grão cresceu lá. Então, não houve corte na disponibilidade da matéria-prima para a produção de alimentos. E, aliás, é bom destacar, porque quando você produz o etanol de milho, você tem dois subprodutos dessa produção do etanol de milho, o DDG, ou WDG, ou DDGS, que é uma ração alimentar, você pega o milho que tem apenas 5%, 6% ou 7 % de proteína, e extrai dele, o DDG, quando ele é seco, ou o WDG, quando ele é molhado, uma proteína com um teor de 35% a 38%. Em alguns casos até de 40% de proteína”, relata.

Em campo

A São Martinho assinou protocolo de intenções com o Governo de Goiás para produzir etanol de milho na unidade de Quirinópolis. O início da operação ocorreu em março de 2023. A nova unidade produtora, acoplada à Usina Boa Vista, terá capacidade anual de moagem de milho de 500 mil toneladas e produção anual aproximada de até 210 mil metros cúbicos de etanol; 150 mil toneladas de DDGS e 10 mil toneladas de óleo de milho, sendo DDGS e óleo de milho coprodutos utilizados para nutrição animal.

Segundo Ivan Barcellos Dalri, que é diretor Agroindustrial da Usina Boa Vista, unidade São Martinho, em Quirinópolis, o grupo investiu na produção de etanol de milho para expandir as operações e diversificar a fonte de matéria-prima na produção de etanol, aproveitando a alta disponibilidade de milho da região. “A integração energética com a unidade produtiva de etanol de cana-de-açúcar faz com que a planta de etanol de milho utilize 100% de sua energia proveniente do bagaço da cana, uma fonte limpa e renovável. Isto contribui para produzirmos um etanol com baixa intensidade de carbono. Além disso, o acesso à matéria-prima, que é o milho, também é um diferencial”, afirma.

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