Estudo aponta ação herbicida de bactéria da Caatinga
Pesquisa identifica bactéria capaz de inibir a germinação da buva e abre caminho para soluções mais sustentáveis no manejo de plantas daninhas.
O uso de microrganismos e de moléculas bioativas produzidas por eles surge como uma estratégia inovadora para reduzir a dependência de químicos sintéticos. Foto: Fernando Adegas / Divulgação
Um bioherbicida da Caatinga pode representar um avanço no controle da buva, uma das plantas daninhas mais resistentes do país. Pesquisadores identificaram uma bactéria capaz de inibir a germinação da espécie invasora.
Cientistas da Embrapa Meio Ambiente e da Universidade de São Paulo encontraram o microrganismo em solos do bioma semiárido. A bactéria produziu moléculas naturais com efeito herbicida.
Como resultado, a descoberta abre caminho para o desenvolvimento de um bioherbicida inédito. A solução apresenta potencial sustentável e maior adaptação à agricultura brasileira.
Estudo identifica moléculas com ação herbicida
O estudo foi publicado na revista científica Pest Management Science. A pesquisa envolveu cientistas da USP e da Embrapa Meio Ambiente.
Os pesquisadores identificaram compostos naturais produzidos pela bactéria. Essas moléculas mostraram capacidade de bloquear a germinação da buva, também conhecida como Conyza canadensis.
Atualmente, a planta daninha apresenta resistência a vários herbicidas sintéticos. Por isso, o controle químico se tornou mais caro e menos eficiente.
Resistência eleva custos no campo
A buva ocorre em praticamente todas as regiões do Brasil. Além disso, ela reduz a produtividade das lavouras. Como consequência, produtores intensificam o uso de defensivos. Esse cenário eleva os custos de produção e amplia os riscos ambientais.
Diante disso, cresce a busca por alternativas naturais. O uso de microrganismos surge como estratégia para reduzir a dependência de produtos químicos.
Caatinga revela microrganismo promissor
O ponto de partida da pesquisa envolveu a triagem de actinobactérias. Esse grupo é conhecido por produzir compostos bioativos de interesse agrícola. Entre os isolados analisados, uma cepa da Caatinga se destacou. O microrganismo Streptomyces sp. apresentou forte efeito fitotóxico.
Segundo os pesquisadores, as condições extremas do bioma favorecem a produção de moléculas inéditas. Assim, a Caatinga funciona como um laboratório natural.
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