Cacau 28-04-2025 | 13:47:00

Moagem do cacau no 1º trimestre de 2025 supera expectativas

Resultado mais forte, junto ao aumento de 5,6% na moagem da Costa do Marfim em março, indica demanda mais resiliente mesmo em cenário desafiador

Por: Redação RuralNews

O mercado de cacau vem registrando forte volatilidade nos últimos meses. A queda na produção da Costa do Marfim e de Gana — principais produtores mundiais — impulsionou os preços da commodity a níveis históricos.
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O encarecimento das amêndoas impactou diretamente o setor de chocolates, elevando os custos de produção e afetando o desempenho financeiro das indústrias processadoras, que repassaram parte dessas altas ao consumidor final.
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Esse movimento se refletiu em indicadores como o Índice Harmonizado de Preços ao Consumidor (HICP) na Europa e o Índice de Preços ao Produtor (PPI) nos Estados Unidos. No Brasil, os preços do chocolate também subiram significativamente em 2025, com variações acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) em itens como barras de chocolate e cacau em pó.

Segundo a Hedgepoint Global Markets, o mercado esperava uma retração na demanda de cacau, o que exercia pressão baixista sobre os preços. “Essa expectativa negativa se intensificou após o ‘Dia da Libertação’ do presidente Donald Trump, que renovou os temores de recessão global e alterou o fluxo comercial com novas tarifas aplicadas a mercados estratégicos”, explica Carolina França, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint. “No entanto, os números divulgados surpreenderam, contrariando a expectativa de queda entre 5% e 7%.”

Na semana de 14 de abril, pouco antes da Páscoa, as principais associações de processadores divulgaram os dados de moagem do primeiro trimestre de 2025. Europa, Ásia e Estados Unidos registraram quedas de 3,7%, 3,4% e 2,5%, respectivamente, em comparação ao mesmo período de 2024 — números menos negativos do que o mercado previa.

Além disso, o aumento anual de 5,6% na moagem da Costa do Marfim em março reforçou a percepção de uma demanda mais resiliente. Como resultado, os preços se recuperaram, com os contratos de julho de 2025 fechando em alta de 4,8% em Nova York (USD 9.117/tonelada) e 6,4% em Londres (GBP 6.435/tonelada).

Apesar da reação positiva, o mercado continua instável. Na quarta-feira (24/04), os preços voltaram a cair, indicando que a demanda ainda gera cautela.

Outro fator de incerteza é a guerra comercial entre EUA e China, que, mesmo com uma pausa de 90 dias nas tarifas recíprocas, pode impactar negativamente o consumo global.

Por fim, a Hedgepoint destaca que o mercado monitora atentamente o regime de chuvas na África Ocidental, que nas próximas semanas será crucial para definir o desempenho da safra intermediária e o início da safra 2025/26 da Costa do Marfim, influenciando diretamente a dinâmica dos preços.

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Texto publicado originalmente em Notícias
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