Segundo boletim de mercado divulgado pela Granoeste Corretora, as cotações da soja iniciaram a manhã desta quinta-feira em terreno negativo na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). O vencimento novembro operava em baixa de 8 pontos, negociado ao redor de US$ 12,16 por bushel, dando continuidade à trajetória de desvalorização que vem marcando os negócios recentes. Na sessão anterior, os contratos chegaram a registrar ganhos entre 7 e 8 pontos ao longo do dia, mas perderam sustentação no fechamento e encerraram com perdas de 4 a 5 cents nas primeiras posições.
O movimento reflete o peso conjunto da colheita em ritmo regular nos Estados Unidos e o avanço acelerado dos trabalhos de campo na América do Sul. Paralelamente, o macrocenário global impõe uma postura defensiva aos fundos de investimento: os desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia continuam direcionando recursos para ativos de menor volatilidade, reduzindo a liquidez nos mercados de commodities agrícolas.
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Pelo lado da demanda, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) segue reportando aquisições volumosas por parte da China. No acumulado da atual temporada norte-americana, os importadores chineses já contrataram entre 13,5 milhões e 14,0 milhões de toneladas do grão dos EUA — praticamente o dobro do volume verificado em igual intervalo do ciclo anterior. As vendas externas totais do país norte-americano também operam adiantadas, somando entre 26,0 milhões e 27,0 milhões de toneladas.
Lavoura brasileira acelera semeadura sob a lupa do El Niño
No cenário doméstico, a implantação da safra de verão mantém ritmo intenso nas principais regiões produtoras. Conforme a avaliação da Granoeste, os levantamentos a serem consolidados neste final de semana devem indicar índices de semeadura superiores a 50% da área projetada para o país. Toda a atenção dos agentes permanece voltada para o comportamento do clima, diante da confirmação de um ciclo de forte atuação do fenômeno El Niño.
A variabilidade climática mantém em aberto o tamanho real da produção nacional: estimativas preliminares de consultorias privadas indicam que, dependendo da intensidade e da abrangência do fenômeno meteorológico ao longo do desenvolvimento das lavouras, a colheita brasileira poderá oscilar em uma faixa ampla, variando entre 162,0 milhões e 182,0 milhões de toneladas.
No front financeiro, após o salto verificado na abertura da semana, a taxa de câmbio encontrou estabilização técnica momentânea no patamar entre R$ 5,30 e R$ 5,40 — nível cerca de 7% superior ao observado antes do segundo turno eleitoral —, mantendo o mercado exposto a dias de volatilidade.
Nos portos, os prêmios de exportação são indicados na faixa de 135 a 160 cents de dólar sobre Chicago no spot; entre 145 e 175 cents para embarques em dezembro; e de 60 a 100 cents para as saídas programadas de janeiro.
Nas praças de comercialização física, as indicações de compra no oeste do Paraná situam-se entre R$ 148,00 e R$ 150,00 por saca, enquanto no Porto de Paranaguá os valores giram de R$ 160,00 a R$ 162,00 por saca, condicionados aos prazos de liquidação financeira e, no caso do interior, aos períodos e terminais de entrega contratados.
