Com a chegada da COP 30, o debate sobre mudanças climáticas ganha força em todo o mundo. Nesse contexto, o agronegócio brasileiro, especialmente a pecuária, mostra um papel essencial. O setor tem provado que é possível aumentar a produção e reduzir as emissões, tornando-se parte ativa das soluções para os desafios ambientais.
Graças ao avanço da ciência e ao uso crescente de tecnologias sustentáveis, a pecuária contribui tanto para a redução dos gases de efeito estufa quanto para o sequestro de carbono no solo. Assim, o campo brasileiro reforça seu papel estratégico nas metas globais de mitigação climática.
Prazo para adesão ao PAA Leite em Goiás vai até 10 de abril
Preços dos lácteos avançam no mercado atacadista de Goiás
Governo amplia crédito para genética na pecuária sustentável
Eficiência produtiva e genética impulsionam a pecuária de baixo carbono
Segundo Diego Guidolin, consultor da Famasul, o aumento da eficiência produtiva é o ponto de partida dessa transformação. “Animais mais produtivos e geneticamente superiores convertem melhor o alimento, produzem mais carne ou leite e permanecem menos tempo no sistema. Com isso, emitem menos metano por quilo produzido”, explica.A melhoria genética e o manejo nutricional de precisão também são fundamentais nesse processo. Dietas balanceadas e suplementação estratégica ajudam a reduzir a fermentação ruminal, diminuindo a liberação de metano — um dos principais gases de efeito estufa. Além disso, o bem-estar animal e a redução do tempo até o abate elevam a produtividade e reduzem a pegada de carbono.
Outro ponto de destaque é o manejo de pastagens, que melhora a ciclagem de nutrientes, reduz a compactação e favorece a atividade biológica do solo. Com isso, o ambiente se torna mais propício para a infiltração de água e o aumento da fertilidade, o que contribui diretamente para a mitigação das emissões.
A recuperação de áreas degradadas e o uso de sistemas integrados, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), também trazem resultados expressivos. Essas práticas aumentam o sequestro de carbono, melhoram o solo e reduzem a necessidade de abrir novas áreas. Conforme destaca Guidolin, “ao restaurar áreas de baixa produtividade, o produtor promove o acúmulo de matéria orgânica e o aumento dos estoques de carbono no solo, reduzindo a concentração atmosférica de CO₂”.
Tecnologia e certificações fortalecem a sustentabilidade no campo
A sustentabilidade também se reflete na gestão de resíduos. O uso de biodigestores em confinamentos transforma dejetos em biogás e biofertilizantes, o que substitui insumos químicos e reduz a emissão de óxidos de nitrogênio (N₂O). Além disso, práticas como a compostagem e a fertirrigação completam o ciclo de aproveitamento eficiente dos nutrientes.Enquanto isso, o avanço da tecnologia torna-se cada vez mais decisivo na pecuária moderna. O monitoramento de emissões permite acompanhar dados em tempo real, garantindo mais precisão e eficiência. Sensores e softwares de gestão ajudam a medir a produção de metano, o consumo de alimentos e o manejo dos dejetos, integrando informações do rebanho de forma sustentável e inteligente.
Essas práticas estão alinhadas a programas como o Precoce MS, o Plano ABC+ e o Plano Nacional de Pecuária de Baixo Carbono (PNPB). Dessa forma, os produtores podem alinhar suas atividades às metas climáticas nacionais, fortalecer a conformidade ambiental e ainda acessar incentivos financeiros voltados à produção sustentável.
Além disso, a rastreabilidade e as certificações de baixo carbono, como Carne Carbono Neutro e Carne Baixo Carbono, reforçam a transparência da cadeia produtiva e valorizam economicamente os produtos sustentáveis.
Por fim, cresce também a participação da pecuária em mercados de carbono e projetos de crédito por sequestro de carbono em pastagens. Em nível global, esse mercado deve saltar de US$ 3,8 bilhões em 2024 para US$ 14 bilhões em 2032, com crescimento anual próximo de 30%.
Guidolin conclui: “O caminho para uma pecuária de baixo carbono já está traçado. Agora, é preciso ampliar políticas de incentivo, difundir conhecimento técnico e fortalecer a governança do setor. Assim, o Brasil consolida seu papel como líder na produção sustentável e na busca pela neutralidade climática até 2050.”
