Maior disponibilidade de açúcar do Brasil compensa incertezas sobre a Índia
Com 613 Mt moídas até dezembro e projeção de mais de 620 Mt ao fim da temporada, a safra deve produzir quase 40 Mt de açúcar, garantindo boas exportações
Por: Redação RuralNews
Segundo Lívea Coda, coordenadora de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets, “A maior parte dessa diferença pode ser atribuída a atrasos no início da safra. Um motivo que corrobora essa opinião é o fato de que, em dezembro, a moagem foi em linha com os resultados de 2023. Em segundo lugar, os resultados da primeira quinzena de janeiro reduziram a diferença para 15,3%”.
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A Hedgepoint Global Markets é uma empresa especializada em gestão de risco, inteligência de mercado, e execução de hedge para a cadeia de valor global de commodities. A companhia trabalha com mais de 60 commodities e mais de 450 produtos de hedge em sua plataforma.
No entanto, a recuperação média do açúcar foi abaixo do esperado, sugerindo uma produção e capacidade de exportação menores. Com uma estimativa média do mercado de 28 Mt, a Índia precisaria consumir seus estoques para atender ao consumo de mais de 29Mt de açúcar, tornando improváveis os rumores de exportação.
“Além da produção, dois pontos são importantes para monitorar. O primeiro são os preços domésticos da Índia, que sofreram uma correção acentuada no início do ano-safra, mas recentemente encontraram suporte, o que pode impactar negativamente as exportações”, destaca a analista.
E prossegue: “O segundo ponto é que a resistência na correção dos preços internos tornou a paridade de exportação mais estável do que os preços internacionais do açúcar, diminuindo o incentivo para os usineiros indianos exportarem, a menos que tenham mais açúcar disponível do que a expectativa do mercado”.
É difícil classificar a Índia como um fator de alta ou de baixa, já que a situação pode mudar dependendo dos próximos meses e das decisões do governo. No entanto, o mercado a vê mais como um fator de alta no momento. “De qualquer forma, a maior disponibilidade do Brasil compensou as incertezas em relação à Índia, e os fluxos comerciais parecem estar caminhando para um superávit”, observa.
O último relatório da Unica, divulgado na quarta-feira (15), destacou uma temporada 24/25 saudável, apesar das adversidades climáticas. Com mais de 1 Mt moída e 613 Mt até dezembro, as usinas continuam operando, desafiando as previsões de morte súbita discutidas em agosto de 2024.
“Esses resultados aumentaram as expectativas de que a safra 24/25 terminará com mais de 620 Mt de cana moída, produzindo quase 40 Mt de açúcar e permitindo altas exportações. Além disso, as chuvas recentes e a menor intensidade da adversidade climática indicam bons resultados também para a safra 25/26”, indica.
O sentimento de baixa se alinha aos preços do açúcar, que estão em torno de 18 centavos de dólar por libra-peso, com expectativa de estagnação a menos que surjam notícias de alta. A China não comprou substancialmente, e os preços internacionais precisariam cair para 16,5 centavos de dólar libra-peso, para que a paridade se abrisse nos estados não produtores.
No lado da alta, o preço do açúcar no porto de Santos está com um prêmio, indicando demanda pelo produto. A entrega de janeiro tem prêmio de 8 pontos e a de fevereiro, 25 pontos.
“Com a redução da disponibilidade no final da entressafra, pode haver alta temporária nos preços, mas a tendência é de curta duração. A demanda pode esperar pela safra 25/26, e o aumento do volume está próximo, considerando as boas perspectivas para a próxima safra”, conclui.
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Texto publicado originalmente em Notícias
A Hedgepoint Global Markets é uma empresa especializada em gestão de risco, inteligência de mercado, e execução de hedge para a cadeia de valor global de commodities. A companhia trabalha com mais de 60 commodities e mais de 450 produtos de hedge em sua plataforma.
Até dezembro, a produção de açúcar da Índia estava 17,8% abaixo da temporada anterior, mas a diferença caiu para 15,3% em janeiro
No entanto, a recuperação média do açúcar foi abaixo do esperado, sugerindo uma produção e capacidade de exportação menores. Com uma estimativa média do mercado de 28 Mt, a Índia precisaria consumir seus estoques para atender ao consumo de mais de 29Mt de açúcar, tornando improváveis os rumores de exportação.
“Além da produção, dois pontos são importantes para monitorar. O primeiro são os preços domésticos da Índia, que sofreram uma correção acentuada no início do ano-safra, mas recentemente encontraram suporte, o que pode impactar negativamente as exportações”, destaca a analista.
E prossegue: “O segundo ponto é que a resistência na correção dos preços internos tornou a paridade de exportação mais estável do que os preços internacionais do açúcar, diminuindo o incentivo para os usineiros indianos exportarem, a menos que tenham mais açúcar disponível do que a expectativa do mercado”.
É difícil classificar a Índia como um fator de alta ou de baixa, já que a situação pode mudar dependendo dos próximos meses e das decisões do governo. No entanto, o mercado a vê mais como um fator de alta no momento. “De qualquer forma, a maior disponibilidade do Brasil compensou as incertezas em relação à Índia, e os fluxos comerciais parecem estar caminhando para um superávit”, observa.
O último relatório da Unica, divulgado na quarta-feira (15), destacou uma temporada 24/25 saudável, apesar das adversidades climáticas. Com mais de 1 Mt moída e 613 Mt até dezembro, as usinas continuam operando, desafiando as previsões de morte súbita discutidas em agosto de 2024.
“Esses resultados aumentaram as expectativas de que a safra 24/25 terminará com mais de 620 Mt de cana moída, produzindo quase 40 Mt de açúcar e permitindo altas exportações. Além disso, as chuvas recentes e a menor intensidade da adversidade climática indicam bons resultados também para a safra 25/26”, indica.
O sentimento de baixa se alinha aos preços do açúcar, que estão em torno de 18 centavos de dólar por libra-peso, com expectativa de estagnação a menos que surjam notícias de alta. A China não comprou substancialmente, e os preços internacionais precisariam cair para 16,5 centavos de dólar libra-peso, para que a paridade se abrisse nos estados não produtores.
No lado da alta, o preço do açúcar no porto de Santos está com um prêmio, indicando demanda pelo produto. A entrega de janeiro tem prêmio de 8 pontos e a de fevereiro, 25 pontos.
“Com a redução da disponibilidade no final da entressafra, pode haver alta temporária nos preços, mas a tendência é de curta duração. A demanda pode esperar pela safra 25/26, e o aumento do volume está próximo, considerando as boas perspectivas para a próxima safra”, conclui.
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