China aumenta importação de café brasileiro

Taxa média de crescimento anual de consumo per capita do gigante asiático se mantém acima de 12%
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- Especial para Rural News
Publicado em 27/02/2024

Com a recente divulgação dos dados de exportação do Brasil, a China está se destacando como uma importadora significativa de café brasileiro, mantendo a sexta posição em janeiro, em linha com sua classificação no final de 2023. Atualmente, o gigante asiático representa 4% das exportações de café do Brasil, em contraste com os 15% dos Estados Unidos e os 6% do Japão.

Segundo Natália Gandolphi, analista de Café da hEDGEpoint, casa de análises especializada em commodities agrícolas, "o aumento nas importações de café pela China começou na segunda metade de 2023, inicialmente impulsionado pelo desvio de importações da Etiópia devido aos níveis de diferenciais".
País asiático pode se tornar o maior comprador de café do Brasil, atrás apenas da União Europeia
País asiático pode se tornar o maior comprador de café do Brasil, atrás apenas da União Europeia

De acordo com a analista, é crucial considerar a tendência de produção de café [arábica] da China. "Até aproximadamente o ciclo 2012/13, o país manteve uma produção e consumo relativamente equilibrados, mesmo que suas importações de café fossem menores. A China se tornou inicialmente uma importadora líquida no ciclo 2010/11." De acordo com Natália, o consumo per capita de café na China é comparativamente baixo. Em média, um indivíduo na China consome 0,21kg de café por ano. Em contraste, a média global é de 1,3kg por pessoa por ano, marcando uma diferença de seis vezes entre a China e a média global.
Se a China atingir níveis de consumo per capita equivalentes à média global, ela poderá ficar atrás apenas da União Europeia em demanda de café, projetada para ultrapassar 33 milhões de sacas.
Natália Gandolphi

“Nos últimos anos, as dinâmicas de oferta e demanda (SD) na China fortaleceram consideravelmente, apesar de uma taxa de crescimento na produção que fica aquém da demanda crescente. A China predominantemente produz café arábica, totalizando pouco menos de 2 milhões de sacas. Embora haja uma pequena parcela designada para reexportação, a maioria do suprimento é consumida internamente”, explica a analista.

Natália esclarece que essa demanda interna é dividida igualmente entre café torrado e moído (RG) e café solúvel, mantendo uma divisão equitativa de 50/50 nos últimos anos.
“Se a China mantiver sua atual taxa média de crescimento anual per capita de +12%, em contraste com a média global de +0,5%, o país poderia potencialmente garantir a 5ª posição no consumo global de café. Isso colocaria a China atrás da União Europeia como bloco, dos Estados Unidos, do Brasil e do Japão (entre 6,5M e 7,5M scs)”, destaca. E segue: “no entanto, se a China atingir níveis de consumo per capita equivalentes à média global, ela poderá ficar atrás apenas da União Europeia em demanda de café, projetada para ultrapassar 33 milhões de sacas".


Sobre o autor

Ronaldo Luiz é jornalista, com mais de 20 de trajetória no agronegócio. É editor dos Portais Uagro/DATAGRO, repórter especial da revista Plant Project, do site CenárioAgro e apresentador do talk show digital AgroPapo. É ainda colunista no Jornal Mato Grosso no Ar, distribuído para mais de 60 rádios de Mato Grosso, bem como do Portal RuralNews. Administra o grupo SouAgro no LinkedIn, que conta mais de 60 mil participantes. É proprietário da agência ComResultado - www.comresultado.com.br.
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