Variações do clima inflacionam aluguel de pastos em Goiás

Áreas destinadas à locação ficaram escassas em várias regiões do Estado
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- Especial para Rural News
Publicado em 15/02/2024

O aluguel de pasto é uma prática comum no meio rural brasileiro, mas em geral desconhecido ao público urbano. O arrendamento é destinado mais à atividade pecuária. Há, no entanto, foco para a lavoura e para fins agroindustriais e exploração extrativa. Dados da consultoria IHS Markit apontam que, em 2020, o arrendamento de terra para a produção de grãos, nas principais regiões do Brasil, cresceu 72%, em média.

Os preços do aluguel tanto em Goiás quanto nos demais estados variam conforme a estrutura da fazenda, pasto e a necessidade de cada agropecuarista. Nos municípios de Mozarlândia, Mara Rosa e Iaciara, as pastagens ficaram escassas em consequência da adversidade climática.
Aluguel de áreas é mais comum para alimentação de animais. Foto: Epamig
Aluguel de áreas é mais comum para alimentação de animais. Foto: Epamig

Em consequência, subiram os valores da locação. Segundo Paulo André, técnico de pecuária da Faeg, “por conta da falta de chuvas no final do ano, acabou que muitos produtores ficaram sem pasto”.Nesse contexto, segundo o técnico, o produtor vê duas saídas: ou vende os animais ou tem que locar o pasto objetivando a recuperação do capim. Observa que “se o animal estiver magro, dificilmente conseguirá vendê-lo”. Essa condição resulta na locação de mais áreas para recuperar os pastos e os animais.

Conforme o IBGE em Goiânia, apresentando dados disponíveis do censo de 2017, havia 152.174 hectares agropecuários no Estado. Destes, 126.802 hectares eram destinados à pecuária e criação de outros animais. O arrendamento ocupou uma área de 750.601 hectares de extensão.

Segundo Paulo André, os aluguéis de pasto por categoria, neste momento nos municípios de Anápolis, Buriti Alegre, Catalão, Iaciara, Jataí, Mara Rosa e Mozarlândia variaram de R$35,00 a R$80,00 para bezerros; de R$45,00 a R$100,00 para garrotes; e de R$50,00 a R$150,00 para vacas.
Para o arrendamento de terra destinado ao algodão, a alta ultrapassou 90%. No mesmo período, a arrendamento de terra para cultivo da cana subiu 15%; e 12% para pastagem. Segundo especialistas, quando feito da maneira correta, o arrendamento de terra proporciona vantagens para ambos os lados.

Para o dono da terra funciona como uma fonte de renda.A prática é legalizada pelo Estatuto da Terra, regulamentado pela Lei 4.504/64, que traz os direitos e deveres das partes envolvidas. A lei estabelece que, para fins de lavoura, o prazo mínimo para o arrendamento da terra é de três anos. Além disso, se o espaço for destinado à pecuária de pequeno e médio porte, o prazo mínimo é de cinco anos. Já para casos de lavoura permanente como laranja e café, pecuária de grande porte e exploração florestal, sete anos é o prazo mínimo.


Sobre o autor

Wandell Seixas é um dos mais respeitados jornalista especializados no agronegócio e escreve diariamente para o portal RuralNews. É bacharel em Direito pela PUC-GO, ex bolsita em cooperativismo agrícola pela Hidradut, em Tel Aviv, Israel. Já foi assessor de imprensa da FAEG, Emater, SGPA, CDL, além de autor do livro O Agronegócio Passa Pelo Centro Oeste e História da SGPA - Domando o Boi pela Genética.
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