O Ministério da Agricultura da África do Sul oficializou que não adotará uma suspensão generalizada às compras de carne de frango brasileira, optando por circunscrever os vetos sanitários estritamente aos estabelecimentos onde foram diagnosticados focos da doença de Newcastle. O posicionamento das autoridades sul-africanas foi detalhado no relatório analítico da consultoria TF Agroeconômica, trazendo alívio para as agroindústrias exportadoras do país.
A diretriz sul-africana mantém aberto o canal de fornecimento para todas as plantas industriais situadas nas demais regiões do território brasileiro. Desde que atendidas as exigências atestadas nos certificados sanitários internacionais acordados entre os dois países, seguem plenamente autorizados os embarques de carne fresca de aves in natura, lotes de ovos para incubação e remessas de pintinhos de um dia.
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A flexibilização fundamentada em parâmetros técnicos reveste-se de grande relevância econômica. O Brasil responde atualmente por no mínimo 70% de todas as importações de carne avícola concretizadas pela África do Sul. Como o mercado doméstico sul-africano depende da aquisição externa para abastecer cerca de 20% do volume total de carne de frango consumido pela sua população, a preservação do fluxo com os frigoríficos brasileiros evita o desabastecimento local e a disparada nas cotações de atacado e varejo daquele país.
Origem das notificações e histórico das restrições
A manifestação da África do Sul ocorre após a notificação oficial brasileira sobre a detecção de três ocorrências da doença de Newcastle em granjas comerciais de Santa Catarina. O foco primário foi identificado no município de Nova Itaberaba em 18 de outubro, com registros subsequentes confirmados em estabelecimentos nos municípios de Coronel Freitas e Nova Erechim, também localizados na porção oeste catarinense. Diante do quadro, os serviços veterinários oficiais mantêm planos de vigilância, barreiras sanitárias e comunicação ativa junto às delegações comerciais estrangeiras.
A postura sul-africana alinha-se ao princípio da regionalização zoossanitária, modelo técnico defendido pelo Brasil junto à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) para conter restrições de mercado exclusivamente aos perímetros epidemiológicos impactados. Critérios compartimentados semelhantes foram acolhidos por importantes destinos da carne brasileira, a exemplo da China, Chile e Arábia Saudita, todos restringindo os bloqueios à abrangência estadual de Santa Catarina. Em sentido oposto, mercados como o México e a Malásia seguem mantendo suspensões de caráter amplo e irrestrito sobre as compras de carne e derivados avícolas de todo o território brasileiro.
